sexta-feira, 19 de julho de 2013

Vênus Negra (Venus Noire)

    Este filme é baseado em uma história real, ocorrida no início do século XIX na Europa. Saartjie Baartman era uma mulher sul-africana que trabalhava como empregada de uma família de colonos holandeses na Cidade do Cabo. Com 20 anos foi levada pelo irmão de seu chefe para a Inglaterra com o objetivo de fazer apresentações e conquistar sucesso e riquezas. Essa foi a promessa, mas não a realidade. Essas apresentações tratavam-se de exibir seu corpo, já que suas dimensões corporais eram inusitadas aos europeus, principalmente por suas nádegas avantajadas. Em função do formato de seu corpo, Saartjie foi chamada de Vênus Hotentote (hotentote era o nome usado pelos colonizadores europeus para denominar alguns grupos étnicos do Sul da África.).
    A ciência também teve contatos com Saartjie, sempre preocupada em medições e padronizações para diferenciar europeus de africanos, e assim proceder as suas hierarquizações embasadas "cientificamente".
    Este filme é importante por mostrar uma história européia que talvez poucos conheçam: a moda dos zoológicos humanos e das apresentações nos circos de etnias consideradas selvagens ou grotescas. Também traz a tona o caráter duvidoso da ciência feita à época, ainda alheia a conceitos éticos que hoje são imprescindíveis. Mas quanto a contar a história da personagem, acho que filme fica devendo muito. Há um enfoque muito grande nas cenas das apresentações e no corpo da personagem, e pouco na consciência e nos sentimentos dela. Sem falar que há cenas completamente nonsense...
    O mais legal do filme:  Saartjie tocando instrumentos africanos perante o público.

Trailer

Ficha Técnica
Venus Noire (2010)
Direção: Abdellatif Kechiche
Elenco: Yahima Torres, Olivier Gourmet, François Marthouret, Andre Jacobs, Elina Lowensohn
Duração: 159 minutos

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Traffic

    Este filme tem uma característica que eu aprecio muito: várias histórias, que de alguma forma se cruzam, são apresentadas aos poucos a quem assiste. Isso geralmente dá a ideia de que a história de alguém sempre está ligada a diversas outras, de que nada é completamente independente, e de que o universo, a sociedade, a realidade, ou seja lá como denominemos esse lugar e tempo onde vivemos a cada dia, é um todo do qual fazemos parte.
    Neste filme o elo de ligação entre as histórias é o tráfico de drogas realizado entre México e Estados Unidos. Os personagens principais não chegam a se conhecer, mas suas histórias preenchem um ciclo de venda-consumo-combate de substâncias ilícitas.
    São basicamente 3 histórias que ocorrem paralelamente. A primeira é a de Javier Rodriguez, um policial que trabalha na fronteira entre os 2 países e tenta como pode sobreviver aos jogos corruptos que mantém próximos crime e lei. A outra é a de Robert Wakefield, um magistrado recém nomeado para o cargo de chefe da política de combate às drogas dos E.U.A., que não percebe que sua filha é viciada nessas substâncias. Ainda há Helena Ayala, esposa de um líder do tráfico, que pensa ser casada com um empresário honesto bem sucedido. Quem não aparece mesmo é o traficante vendedor, de classe baixa, que vive na linha de fogo. Essa discussão social aparece em apenas uma fala do policial Javier, mas acaba tendo uma certa importância no fechamento da história.
    O mais legal do filme: há uma concepção de fotografia diferente para cada um dos três personagens, o que lhe confere uma riqueza estética maior, além de corroborar com o contexto de cada história.
 
Trailer

Ficha Técnica
Traffic (2000)
Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Michael Douglas, Benicio del Tor, Catherine Zeta-Jones, Don Cheadle, Dennis Quaid, Erika Christensen
Duração: 147 minutos
Principais premiações: Direção (Oscar), Ator Coadjuvante para Benicio Del Toro (Oscar, Bafta, Globo de Ouro e Festival de Berlim), Roteiro e Roteiro adaptado (Oscar, Bafta e Globo de Ouro).
    

terça-feira, 9 de julho de 2013

Antes da Meia-Noite (Before Midnight)

    Jesse e Celine se encontraram pela primeira vez em 1995, em "Antes do Amanhecer", quando tinham 20 e poucos anos, em um trem europeu. Ela, francesa, ele, estado-unidense. Passaram juntos um dia apaixonante em Viena, apaixonando-se. Nove anos depois encontraram-se novamente em Paris, em uma livraria. Jesse estava na Europa divulgando seu livro sobre a história de duas pessoas que se encontram e passam um dia memorável juntas. Agora com 30 e poucos anos e com as responsabilidades que essa idade geralmente traz, também chamadas de carreira e filhos, eles têm algumas horas "Antes do Pôr do Sol" para conversar sobre a vida, sobre o que aconteceu com as suas vidas nesse meio tempo e sobre o que farão com elas.
    Em "Antes da Meia-Noite" acompanhamos mais um dia na vida de Jesse e Celine. Mais nove anos se passaram e nos primeiros 10 minutos de filme descobrimos que desta vez os dois viveram este período de tempo juntos. Vivem em Paris e têm filhas gêmeas. Celine está em dúvida quanto a aceitar um emprego no governo, debatendo-se com seus valores e com seu histórico profissional. Jesse está ressentido por não conviver com seu filho pré-adolescente que mora em Chicago com sua ex-mulher, com a qual ele tem uma péssima relação. Sua crises pessoais são um degrau para uma crise no relacionamento.
   O terceiro filme desta magnífica trilogia sobre a vida mantém a delicadeza, a sagacidade dos diálogos e o cenário extremamente belo. O que ele traz de diferente é a realidade de um relacionamento maduro entre duas pessoas na faixa dos 40 anos, que implica em questionamentos e problemas cotidianos a serem resolvidos. Os personagens, muito bem construídos, sedutores e inteligentes, conduzem esse processo de uma forma verdadeira e apaixonada, com toda a dor, o amor e a comédia que uma relação conjugal pode comportar. Cenário melhor não poderia existir: a Grécia, berço de todo o drama da civilização ocidental! E tudo termina num piscar de olhos, mas faz o coração piscar por dias e dias...
    O mais legal do filme: é a minha trilogia preferida! Por isso mereceu mais dos que 20 linhas, ainda que não tão bem escritas como o filme merecia.

Trailer

Ficha Técnica
Before Midnight (2013)
Direção: Richard Linklater
Elenco: Julie Delpy, Ethan Hawke
Duração: 108 minutos
     

domingo, 16 de junho de 2013

Colcha de Retalhos (How To Make An American Quilt)

    Finn Dodd é uma mulher de 26 anos que já mudou 3 vezes o assunto da tese acadêmica que está escrevendo. Sua última temática refere-se ao trabalho manual feito coletivamente por mulheres. Isto, e talvez questionamentos que ela ainda nem sabe que fará, mas que já estão com ela, a levam para passar o verão na casa de sua avó e de sua tia-avó, onde um grupo de mulheres tece quilts a partir de retalhos que bordam. Enquanto isso, seu noivo fica reformando o apartamento onde irão morar, e sua mãe está por aí, começando e terminando com novos namorados.
    Envolta em bordados, linhas e páginas "tecidas" em uma velha máquina de escrever, Finn se torna a ouvinte de cada uma daquelas mulheres, que contam suas nostálgicas histórias, da época em que seus cabelos não eram alvos e as rugas ainda não haviam chegado, desvendando as nuances de todos os relacionamentos humanos e lhe provocando novas reflexões sobre a vida.
   Este é um filme de histórias de mulheres. Todas as ideias, os sentimentos e as próprias histórias de vida, são contadas e expressadas através do ponto de vista feminino. Os homens estão presentes, como os causadores das alegrias, dos infortúnios, das paixões, mas o que está sempre em primeiro plano são os sentimentos delas, o que elas fizeram a partir do que lhes surgiu pelo caminho. Uma característica marcante do filme é o fato de que as histórias que vão sendo contadas são encenadas, e assim podemos ver como eram na juventude aquelas senhoras que agora bordam retalhos inspiradas em suas lembranças.
    O mais legal do filme: as histórias, sobre o amor em todas as suas formas, sobre o perdão, sobre o tempo, que fazem perceber que a nossa vida é como uma colcha de retalhos.

Trailer

Ficha Técnica
How To Make An American Quilt (1995)
Direção: Jocelyn Moorhouse
Elenco: Winona Ryder, Ellen Burstyn, Anne Bancroft, Alfre Woodard, Dermot Mulroney, Kate Nelligan
Duração: 106 minutos

   

sábado, 15 de junho de 2013

Faroeste Caboclo


    Um filme de Faroeste, onde o Oeste é brasileiro e não é bem Oeste, as perseguições são de carro e não a cavalo, a mocinha fuma maconha e o justiceiro é negro. Um pouco diferente do comum, mas ainda assim um Faroeste, com duelos, mortes, perseguições e justiça feita com as próprias mãos.
    Qualquer pessoa que conheça uma das mais famosas músicas do rock brasileiro já sabe que João, nascido em Santo Cristo, interior da região Nordeste brasileira, vai pra Brasília e se torna traficante ao unir-se com Pablo, seu primo peruano. Conhece uma menina chamada Maria Lúcia pra quem jura seu amor e entra em disputa com Jeremias, traficante de renome da região. O filme conta exatamente essa história, com as adaptações necessárias da música para construir um roteiro coeso e que faça total sentido.
    O elenco, deve-se dizer, está impecável. Considerando-se a responsabilidade de dar cara, voz e "jeito" a personagens tão conhecidos e tão cantados há anos pelos brasileiros, acho que fizeram um ótimo trabalho. Também gostei bastante dos incrementos feitos à história da música, necessários para dar veracidade à história. O motivo da morte por "tiro de soldado" do pai de João, a maneira como ele conhece Maria Lúcia, o policial comparsa de Jeremias, ... Tem até uma cena de show de rock em que a Maria Lúcia está com seus amigos, na qual a banda é a Legião Urbana! Achei uma ótima referência.
    O mais legal do filme: o duelo final, que também é o final da música. Desde o início da cena, a forma como o convite é feito, a cocaína voando pelos ares, o cenário de terra vermelha. Genial!

Trailer

Ficha Técnica
Faroeste Caboclo (2013)
Direção: René Sampaio
Elenco: Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Felipe Abib, Antonio Calloni, César Trancoso
Duração: 105 minutos

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Somos Tão Jovens

    Demorou bastante pra fazerem um filme sobre a história de Renato Russo, um grande nome da música brasileira. Talvez a indecisão entre qual formato seria feito (houve um projeto de documentário) e a possível reação da família tenham adiado tanto a transformação em filme dessa história que não podia deixar de ser contada.
    E que história é essa? Um jovem que lê muito e escuta muita música começa aos poucos a escrever canções, aprender acordes no violão e a andar com um pessoal parecido com ele, enquanto conhecem as bandas punk estrangeiras do fim da década de 1970. Surge assim, entre bebedeiras, discos, discussões e shows, o Rock de Brasília.
   É uma pena que a demora não tenha sido justificada por uma preocupação com a qualidade do filme ou cuidado com a importância dessa produção pra filmografia brasileira. Achei o filme "pouca coisa" pra um personagem de alto nível como é Renato Russo. E por que achei isso? Explico.
    A escolha do elenco baseou-se na ideia de ter atores parecidos com os personagens da vida real. É legal ver atores fisicamente parecidos, ou, até mesmo, os filhos de dois dos integrantes da 2ª banda de Renato, a Legião Urbana. Mas, o que a maior parte do elenco tem de semelhança física, tem de inexperiência em atuação. Além disso, há cenas forçadas, em que trechos ou títulos de músicas de Renato são inseridas nos diálogos. Percebe-se que essa inserção foi proposital e pensada como algo que daria sentido ao roteiro. Mas aconteceu justamente o contrário. A sensação final do filme: Renato Russo merecia algo melhor.
    O mais legal do filme: as cenas das apresentações e dos destemperamentos de Renato.

Trailer (canal oficial)

Ficha Técnica
Somos Tão Jovens (2013)
Direção: Antonio Carlos da Fontoura
Elenco: Thiago Mendonça, Laila Zaid, Sandra Corveloni, Marcos Breda, Bianca Comparato, Bruno Torres,  Daniel Passi, etc.
Curiosidade: Nicolau Villa-Lobos interpreta seu pai, guitarrista da Legião Urbana.
Duração: 104 minutos.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Rock Of Ages

    "Apenas uma garota do interior, vivendo em um mundo solitário, que pegou o último trem pra lugar nenhum." Ela encontra um garoto da cidade grande e juntos eles seguem vivendo em uma trilha sonora. Os dois mocinhos e todos os outros personagens cantam seus sentimentos durante o filme, já que se trata de mais um musical da Broadway que foi adaptado para o cinema.
    O musical, que se passa na década de 1980, conta a história de Sherrie, uma garota que pega um ônibus para Hollywood com uma mochila cheia de discos e sonhos de ser uma grande cantora. Ela acaba encontrando Drew, um aspirante a rock star que trabalha no Bourbon, um dos bares mais clássicos de Los Angeles (que, imagino, seja uma representação do Rainbow da vida real). Além do par romântico, outros personagens dão nova voz a clássicos do rock, como os malucos Dennis e Lonny, dono e empregado do bar e Patricia Whitmore, primeira-dama engajada numa luta para acabar com o cenário rock 'n' roll da cidade. Mas o destaque mesmo fica com Stacee Jaxx, vocalista de uma super banda de hard rock, com muitos traços de Axl Rose.
    A história pode ser um pouco clichê, ou até romântica demais (em todos os sentidos), mas tem momentos hilários e a trilha sonora não poderia agradar mais os fãs de hard rock: clássicos de Poison, Foreigner, Journey, Def Leppard, Bon Jovi, entre outros, ganham novas versões, sendo inclusive misturadas umas com as outras em apenas uma música, criando efeitos interessantes.
    O mais legal do filme: o Rock 'n' Roll!

Trailer

Ficha TécnicaRock os Ages (2012)
Direção: Adam Shankman
Elenco: Tom Cruise, Julianne Hough, Diego Boneta, Alec Baldwin, Catherine Zeta-Jones, Russel Brand, Malin Akerman, Mary J. Blige
Duração: 135 minutos

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Mama

    Se você gosta de tomar vários sustos ao assistir um filme, assista este. Se aprecia uma boa fotografia, assista esse filme. Se independentemente do gênero do filme, gosta de uma boa história que vai aos poucos sendo revelada, esse filme também é pra você. Se admira o trabalho do cineasta Guillermo Del Toro (não conhece? Pois conheça, e comece com "O labirinto do Fauno" e "O Orfanato"), assista-o também, pois é a sua mais nova produção.
    Um homem transtornado por algo que não se explica muito bem, mata seus dois sócios e sua esposa. Pega as duas filhas, Lilly de 1 ano e Victoria de 3, e, em alta velocidade, dirige por uma estrada escorregadia, coberta por neve (cena lindíssima, aliás). Chegam a uma cabana abandonada no meio de uma floresta, onde o homem desaparece. As pequenas garotas ficam, aparentemente, sozinhas. Tudo isso ocorre nos primeiros dez minutos de filme.
    Cinco anos depois, o tio das garotas, irmão de seu pai, ainda as procura, a despeito da improbabilidade de estarem vivas, depois de tanto tempo. Mas elas estão, e são encontradas na mesma cabana em que foram deixadas. Palmas para a cena que mostra esse encontro!
    De volta à sociedade, Victoria e Lilly têm que se adaptar a uma nova vida, indo morar com seu tio Lucas e sua namorada Annabel, e tendo consultas com o Dr. Dreyfuss, um psiquiatra muito interessado no caso. Mas elas ainda guardam uma relação com sua vida na cabana, já que "amor de mãe é eterno", como descrito no subtítulo do filme...
    O mais legal do filme: Lilly, vivida pela pequena grande atriz Isabelle Nélisse.

Trailer

Ficha Técnica
Mama (2013)
Direção: Andrés Muschietti
Elenco: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier, Isabelle Nélisse, Daniel Kash
Duração: 100 minutos