Mostrando postagens com marcador Drama. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Drama. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de março de 2015

Ida

    Uma coleção de belíssimas fotografias em preto e branco, que entristecem e encantam. Uma história de busca, descobertas, profundezas e solidão. Duas personagens femininas antitéticas percorrendo estradas polonesas. Uma protagonista de pouquíssimas falas. Um filme pleno de sentidos e imagens arrebatadoras.
    Anna é uma irmã da Igreja Católica residente de um convento na Polônia e prestes a fazer seus votos definitivos. Antes disso, ela é enviada pela direção do convento para conhecer sua única parente viva, uma tia chamada Wanda, de quem nada sabe. 
    Ao encontrá-la descobre que seu nome de batismo é Ida Lebenstein, que é judia e que a causa da morte de seus pais, bem como o local onde estão enterrados, são fatos desconhecidos, inclusive por sua tia. As duas partem em uma viagem pelo interior da Polônia, em direção à antiga moradia de seus antepassados para desvendar sua história em comum. 
    Filme merecidamente indicado ao Oscar de melhor fotografia, foi vencedor do mesmo prêmio na categoria melhor filme estrangeiro: uma obra diferente pairando na Academia, em meio à velocidade e aos sentimentos mastigados do cinema de Hollywood. Saí do cinema com vontade de ver o mundo em preto e branco, pra sentir um pouco mais de melancolia. Uma história que contextualiza a República Popular da Polônia dos anos 1960, vermelha, camarada e comunista, e que, ao mesmo tempo, evoca sutilmente as feridas abertas de uma dominação nazista dolorosamente próxima.
    O mais legal do filme: uma comovente e arrebatadora obra de arte que merece ser vista muitas vezes.

Trailer

Ficha técnica
Ida (2013)
Direção: Pawel Pawlikowski
Elenco: Agata Trzebuchowska, Agata Kulesza, Adam Szyszkowski, Dawid Ogrodnik.
Principais premiações: Filme Estrangeiro (Oscar e BAFTA)
Duração: 85 minutos.
    

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Boyhood - Da Infância à Juventude

    O mais óbvio argumento para convencer alguém a assistir esse filme é dizer que nunca antes houve um projeto igual na história do cinema (ao menos que eu ou o Google saibamos). Trata-se de um único filme que demorou doze anos para ser concluído, acompanhando assim o amadurecimento de seu elenco. Nem a série de filmes de Harry Potter, com oito produções, acompanhou tanto tempo na vida de seus jovens atores.
    O realizador desta obra audaciosa é Richard Linklater, diretor e roteirista de três dos meus filmes preferidos: Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite. Esta também é uma maravilhosa trilogia que abarca dezoito anos na vida de um casal, mas tratam-se de filmes lançados separadamente, e os atores são já adultos quando os conhecemos. A magia de Boyhood é ver duas crianças crescendo durante doze anos, tornando-se adolescentes e jovens, fazendo escolhas, tudo isso em um mesmo filme.
    Conhecemos Mason quando ele tem seis anos, vive com sua irmã Samantha e com sua mãe, Olivia, recebendo visitas esporádicas de seu pai. Através das diferentes fases pelas quais a família passa, eventos que poderiam acontecer com qualquer família da vida real, acompanhamos as relações entre os personagens principais, novos casamentos, amizades construídas e perdidas, mudanças de cidade, além de eventos históricos, como as eleições presidenciais, o lançamento de um novo livro de Harry Potter ou o surgimento de Lady Gaga. Tudo isso, por acontecer ao longo de tantos anos e mostrar o crescimento verdadeiro das duas crianças, além do envelhecimento dos pais, faz com que o filme transforme-se num registro incrível e único da passagem do tempo e do crescimento pelo qual todos nós passamos, mesmo que não estejamos preparados para ele. Um filme encantador e emocionante, que fala da vida e apenas isso.
    O mais legal do filme: a história provoca nostalgia, reflexão sobre a vida e uma enorme vontade de recordar nossa infância e adolescência. 


Ficha Técnica
Boyhood (2014)
Direção: Richard Linklater
Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke, Lorelei Linklater.
Principais premiações: Melhor filme e melhor filme dramático (BAFTA e Globo de Ouro), melhor diretor (BAFTA e Globo de Ouro), melhor atriz coadjuvante para Patrícia Arquette (Oscar, BAFTA e Globo de Ouro)
Duração: 165 minutos
Curiosidade: a atriz que faz o papel de Samantha é filha única do diretor do filme. 


domingo, 31 de agosto de 2014

A Culpa é das Estrelas (The Fault In Our Stars)

    "Só tem uma coisa pior nesse mundo que bater as botas aos dezesseis anos por causa de um câncer: ter um filho que bate as botas por causa de um câncer." Essa é uma das frases que Hazel Grace, personagem principal da história adaptada do livro best-seller de John Green, profere logo no início do filme, e uma das mais marcantes para mim. Simboliza bem dois dos pilares da história, quais sejam: a relação de Hazel com sua mãe, que tenta melhorar sua vida de todas as formas possíveis; e sua relação com a doença, um desgosto conformado.
    Hazel é uma adolescente de dezesseis anos, diagnosticada aos treze com câncer de tireoide. Seus pulmões afetados pela doença fazem com que ela tenha que carregar um cilindro de oxigênio para poder respirar. Em um grupo de apoio ela conhece Augustus waters, um ano mais velho do que ela, com rosto de galã e uma perna amputada em decorrência de um câncer nos ossos. Após certa relutância, Hazel passa a aprender com Augustus a lidar com sua doença com um pouco mais de humor e de esperança.
     Este é, sem dúvida, um romance adolescente, porém um pouco diverso dos demais. Um casal com uma perna a menos e duas cânulas no nariz a mais é, sem dúvida, um casal fora do modelo adolescente de Hollywood. Além disso, sabe-se que as coisas podem não dar certo no fim, não porque um dos dois vai ser infiel, querer ficar com outras pessoas ou ser alvo de um mal-entendido, mas sim porque a doença pode levá-los a óbito.
    O mais legal do filme: a mensagem passada para os adolescentes: nossas imperfeições e problemas não impedem o surgimento do amor.


Ficha Técnica
The Fault In Our Stars (2014)
Direção: Josh Boone
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Laura Dern, Willen Dafoe, Nat Wolff, Sam Trammel.
Duração: 125 minutos


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes)

    Existe um teste sobre filmes conhecido como "Bechdel Test", originado de um quadrinho da cartunista americana Alison Bechdel. Ele tem o objetivo de analisar a presença de personagens femininas no mundo cinematográfico e a sua relevância nas histórias dos filmes. Para que um filme passe no teste você deve responder "sim" a três questões sobre ele: existem pelo menos duas personagens femininas com nome no filme? elas conversam entre si? essas conversas são sobre outras coisas a não ser homens?  
    Uma rápida análise dos filmes que entraram no circuito comercial nos últimos anos demonstra que a proporção de filmes que não passam no teste é enorme. Por isso, e por milhares de outros motivos, é que este filme é espetacular! Ele não apresenta apenas duas personagens femininas fantásticas, mas quatro! E há ainda uma quinta personagem que ao final do filme se mostra importantíssima para a história...
    Evelyn Couch é uma dona de casa deprimida e solitária, que tenta de tudo para agradar o marido, sem obter sucesso. Em uma visita a uma parente num asilo, ela conhece Ninny Threadgoode, uma senhora alegre e dona de uma ótima memória. Elas, aos poucos, se tornam amigas e Ninny passa a contar a linda e peculiar história de Idge e Ruth, duas jovens mulheres independentes que enfrentaram o racismo e o machismo da sociedade sulista dos anos de 1930 e 40 e envolveram-se no misterioso caso do desaparecimento de um homem.
    O mais legal do filme: além da delicadeza na direção e da belíssima atuação das quatro atrizes, a liberdade dada à nossa imaginação, principalmente em dois aspectos que não são declarados, possibilitando imaginar e entender os detalhes do nosso jeito.

Trailer
Filme completo no youtube

Ficha Técnica
Fried Green Tomatoes (1991)
Direção: Jon Avnet
Elenco: Kathy Bates, Jessica Tandy, Mary Stuart Masterson, Mary-Louise Parker, Cicely Tyson, Stan Shaw
Duração: 130 minutos
    
    

terça-feira, 18 de março de 2014

O Homem Que Fazia Chover (The Rainmaker)


       Dirigido por Francis Ford Coppola e estrelado por um grande elenco, este ótimo filme tem os tribunais como cenário. Aqui conhecemos o jovem e recém formado (e carismático) advogado Rudy Baylor, que no início da trama se vê obrigado financeiramente a trabalhar em um escritório mercenário, de advogados que ficam à espreita nos hospitais, aliciando pacientes, clientes em potencial. Rudy, porém, é um rapaz idealista, que pretende ajudar as pessoas com sua profissão. 
    No momento de sua contratação, ele já tem dois clientes: Miss Birdie, uma idosa solitária, que pretende ajustar os beneficiários de seu testamento de uma forma bastante peculiar; e os Black, uma família bastante problemática em processo contra o seu plano de saúde, já reconhecido por sua renomada equipe de advogados que ganham todas as causas levadas à justiça. O processo ocorreu em função das inúmeras negativas de cobertura do transplante de medula que Donny Ray Black, o filho do casal, necessitava, em função de sua leucemia, já em estágio avançado. Quando está no hospital procurando clientes e estudando o caso de Donny ray, Rudy conhece Kelly Riker, uma mulher que é espancada constantemente pelo marido.
    O mais legal do filme: Traz a tona duas discussões bastante salientes atualmente, quais sejam, o ideal de justiça de certos profissionais ligados ao direito em oposição ao exercício da profissão de forma puramente econômica e, muitas vezes, corrupta, e as imensas falhas estruturais nos planos de saúde, que oferecem uma série de empecilhos para dar cobertura médica quando os usuários mais precisam, sempre tendo como prioridade a economia de verba, em detrimento da saúde das pessoas.

Trailer

Ficha Técnica
The Rainmaker (1997)
Direção: Francis Ford Coppola
Elenco: Matt Damon, Jon Voight, Danny DeVito, Claire Danes, Danny Glover, Virgina Madsen
Duração: 135 minutos
    

domingo, 23 de fevereiro de 2014

12 Anos De Escravidão (12 Years A Slave)

    Solomon Northup é um violinista casado, pai de um casal de filhos, residente de Nova York, E.U.A, vivendo o ano de 1841. É negro em um país onde a escravidão de afro-americanos não é apenas legítima, como amplamente difundida nos estados do Sul, mas livre, sustentando-se como músico animador de bailes da elite da sociedade local.
    Certo dia, dois homens lhe são apresentados. Estes lhe oferecem um trabalho temporário como músico em um espetáculo que estavam a promover em Washington. Solomon aceita o convite e é levado até a cidade. O golpe praticado pela dupla é revelado quando o violinista acorda acorrentado em um cativeiro. Dali, juntamente com outras cinco pessoas, é levado para um navio rumo a um mercado de escravos na Louisiana.
    Baseado em uma história real, contada em livro autobiográfico homônimo lançado em 1853, o filme tem uma das cenas mais angustiantes a que já assisti. O desconforto dos espectadores no cinema, não apenas nesta cena, como em todas as outras que revelam o sadismo e a perversidade de um sistema que, incrivelmente, sustentou-se durante tanto tempo, defendido por tantas pessoas, é facilmente perceptível. Como não sair do cinema perturbado após ter os sentidos inundados pelas atrocidades que criaturas de nossa mesma espécie foram capazes de cometer?
    Atuações extraordinárias e uma trilha sonora intensa contam uma história que todos devem conhecer.
    O mais legal do filme: Há uma cena belíssima e, ao mesmo tempo, extremamente dolorosa: um grupo de escravos canta "Roll Jordan Roll", canção negro spiritual.

Trailer

Ficha Técnica
12 Years A Slave (2013)
Direção: Steve McQueen
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Lupita Nyong'o, Paul Dano, Brad Pitt, Sarah Paulson, Benedict Cumberbatch
Principais premiações: Filme e Filme Drama (Oscar, BAFTA e Globo de Ouro), Ator para Chiwetel Ejiofor (BAFTA), Atriz Coadjuvante para Lupita Nyong'o (Oscar)
Duração: 133 minutos

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Menina Que Roubava Livros (The Book Thief)

    Este é mais um filme, entre os outros tantos lançamentos do cinema, que traz a adaptação de uma obra literária para a sétima arte. Sobre este assunto, há uma série de quatro vídeos chamada "Everything is a Remix", lançada há poucos anos por Kirby Ferguson. Segundo ele, dos dez filmes que mais arrecadaram em cada um dos últimos dez anos, 74 de 100 são sequências, refilmagens ou adaptações de livros, quadrinhos e games.
    Adaptações de livros para filmes sempre trazem consigo algumas sensações inevitáveis, ao menos para mim. Se primeiro assisto a adaptação e depois leio o livro, durante a leitura, trago sempre ao pensamento a imagem dos atores e dos cenários escolhidos para o filme. Minha leitura fica condicionada àquela realizada pela equipe que lançou a adaptação. A imaginação, assim, perde um pouco seu espaço. Ao contrário, se primeiro leio o livro e depois, geralmente ansiosa, assisto a adaptação, não consigo ver o filme como uma obra independente. Fico procurando as semelhanças e as diferenças entre as histórias.
    No caso deste filme, adaptação do livro homônimo de Marcus Zusak, um dos melhores que li nos últimos tempos, a atuação do elenco encaixou-se perfeitamente no modelo que a minha imaginação tinha criado para os personagens. Liesel Meminger é uma garotinha que, no início da história, é separada de sua mãe e levada para o casal Huberman, durante o governo Nazista na Alemanha. Ela, que inicialmente não sabia ler, acaba transformando a paixão pelas palavras em fonte de vida.
    O mais legal do filme: a relação belíssima de Liesel com seu pai adotivo, Hans Huberman, que desde o início tenta dar à garota pequenas doses de esperança a cada dia.

Trailer

Ficha Técnica
The Book Thief (2013)
Direção: Brian Percival
Elenco: Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson, Nico Liersch, Ben Schnetzer
Duração: 131 minutos

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Millennium III: A Rainha do Castelo de Ar (Luftslottet Som Sprängdes)

    O título do último filme da trilogia Millennium, como é bastante comum, foi traduzido para o português sem fidelidade ao título original. A tradução literal para ele seria "O Castelo de Ar que Explodiu". A frase claramente faz referência ao esquema mantido por um grupo dentro do governo, do qual Lisbeth Salander foi vítima desde a infância, que é desvendado graças à ajuda dos amigos que ela parece não acreditar que tem. O castelo de ar construído durante décadas finalmente explode, libertando sua principal prisioneira.
    Após o confronto ocorrido no final do segundo filme, Lisbeth e Alexander Zalachenko, seu pai, estão internados no mesmo hospital, em recuperação. Lisbeth está sendo acusada pela tentativa de assassinato de seu pai, e Zala está na mira da organização da qual participa, pois tem muitas informações que não podem vir à tona. Enquanto isso, Mikael Blomkvist e a equipe da Millennium tentam descobrir todos os nomes desse grupo secreto para denunciá-los à sociedade e salvar Lisbeth da cadeia e da tutela do estado. 
    A trilogia Millennium, para além de sua grande qualidade enquanto entretenimento, tem como mérito provocar algumas reflexões acerca de uma sociedade a qual, mesmo não conhecendo muito, tomamos como exemplo de civilidade, retidão e idoneidade política. O autor da trilogia foi um jornalista que dedicou a vida a fazer denúncias sobre a administração de seu país, e certamente não foi à toa que decidiu escrever uma história sobre personagens corruptos e cruéis escondidos sob a imagem do governo de uma nação acima de qualquer suspeita.
    O mais legal do filme: a própria investigação, que cativa a atenção do início ao fim.

Trailer

Ficha Técnica
Luftslottet Som Sprängdes (2009)
Direção: Daniel Alfredson
Elenco: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre, Annika Hallin, Anders Ahlbom, Sofia Ledarp, Jacob Ericksson
Duração: 141 minutos

domingo, 29 de dezembro de 2013

Millennium II: A Menina Que Brincava Com Fogo (Flickan Som Lekte Med Elden)

    Stieg Larsson, autor da trilogia Millennium, foi um jornalista sueco militante dos direitos humanos que escrevia sobre o fascismo e a extrema direita presentes na política de seu país. Aos quinze anos, presenciou um estupro coletivo de uma garota a qual ele não ajudou. Trinta anos depois, sua trilogia literária foi lançada, postumamente. Os dois personagens principais: uma garota aparentemente frágil que sofre abusos de homens, e instituições controladas por eles, mas que usa sua inteligência e habilidade para se vingar, e um jornalista que utiliza seu veículo de comunicação para denunciar o lado podre do cenário político sueco.
    Claramente, Larsson utilizou a literatura para denunciar, uma vez mais, a corrupção em seu país e a violência praticada contra as mulheres nas mais variadas instâncias da sociedade. Mikael Blomkvist, o jornalista da história, pode ser visto como um lado autobiográfico de Larsson. Já Lisbeth Salander, a personagem central da história, pode ser interpretada como uma forma do autor expiar sua culpa e exprimir seus sentimentos sobre o estupro ocorrido décadas atrás: Lisbeth sofre, mas pune seus agressores e tenta se vingar dos homens que odeiam as mulheres.
    Neste segundo filme da trilogia, a revista Millennium está investigando as organizações por trás do tráfico de mulheres do Leste Europeu, obrigadas a prostituirem-se na Suécia. Mas a investigação é interrompida quando ocorrem três assassinatos cuja principal suspeita é Lisbeth, que ficou um ano sem dar notícias após o final do primeiro filme.
    O mais legal do filme: A cena dos motoqueiros. Acho que toda mulher gostaria de ser Lisbeth naquele momento.

Trailer

Ficha Técnica
Flickan Som Lekte Med Elden (2009)
Direção: Daniel Alfredson
Elenco: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre, Yasmine Garbi, Micke Spreitz, Johan Klyén
Duração: 124 minutos

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (The Girl With The Dragon Tattoo)

    Lisbeth Salander é a garota com a tatuagem de dragão do título do filme. Uma jovem andrógina, de ar melancólico e solitário, dona de uma história de vida bastante conturbada, com o corpo coberto de piercings e tatuagens, que está sob tutela do estado desde os 12 anos - o motivo, descobre-se apenas na etapa final do filme. Ela tenta sua independência trabalhando como pesquisadora/hacker de uma empresa de segurança.
    Mikael Blomkvist é um jornalista investigativo dono de uma publicação chamada Millennium. Ele a utiliza para desvendar crimes de corrupção de figuras poderosas do cenário político e econômico da Suécia, país onde se desenrola a história.
    Henrik Vanger, chefe de uma família tradicional que vive em uma ilha do norte gelado do país, contrata a agência em que Lisbeth trabalha para investigar Blomkvist e ela é a responsável por fazer o relatório sobre o jornalista. Henrik tem intenções de contratá-lo para que investigue um crime antigo não solucionado na família: o desaparecimento de Harriet Vanger, sua sobrinha que à época do desaparecimento tinha 16 anos.
    Apenas com uma breve descrição dos personagens, percebe-se o quão rico é este filme. São vários núcleos compondo a história, um mais interessante que o outro. O filme é a 2ª adaptação para o cinema da obra "Män Som Hatar Kvinnor" (Os Homens Que Odeiam As Mulheres), do escritor sueco Stieg Larsson, que faz parte de uma trilogia. Uma adaptação sueca homônima foi lançada dois anos antes, contemplando também os outros dois volumes da trilogia.
    O mais legal do filme: Lisbeth, personagem atípica: uma justiceira contemporânea, nerd e magricela.

Trailer

Ficha Técnica
The Girl With The Dragon Tattoo (2011)
Direção: David Fincher
Elenco: Rooney Mara, Daniel Craig, Christopher Plummer, Stellan Skarsgard
Duração: 157 minutos
    

domingo, 22 de dezembro de 2013

Anticristo (Antichrist)

    Um filme de cenas perturbadoras e polêmicas, como é de costume na obra de Lars Von Trier, que provocam angústia, medo, dor, fascinação. É aquele tipo de obra que, quando termina, te deixa pensando, tentando interpretar os diálogos, os sentimentos dos personagens e o fechamento da história. E que depois, ao trocar impressões sobre ele com algum amigo, há a percepção de que existem muitas visões diferentes sobre o filme, pois ele tem a característica de estar aberto a essas inúmeras possibilidades de entendimento.
    A história: um casal -sem nome- perdeu seu filho pequeno num (talvez) acidente doméstico. A mulher entra em um estado de depressão profunda. O homem, terapeuta, decide submetê-la a uma cura terapêutica e a leva para uma cabana isolada no meio de uma floresta densa e escura. Ao desenvolver esse tratamento, o homem também inicia uma pesquisa sobre os sentimentos de sua mulher; enquanto isso, ela vai revelando toda a complexidade de sua culpa, dor e de seu desejo sexual.
    Essa história, aparentemente, poderia ser lida como um clichê do cinema: casal perde o filho e tenta lidar com isso. Mas a maneira como é contada faz toda a diferença para a reação das pessoas em relação ao filme: muitos acharam genial, muitos, repugnante. Acho bastante interessante a maneira como o "verdadeiro" tema do filme vai se revelando aos poucos. E acho ainda que o mergulho na mente de um personagem perturbado não pode mesmo ser indolor e fácil. É da escolha do espectador decidir mergulhar ou não.
    O mais legal do filme: o prólogo, de fotografia belíssima em P&B, que conta a história da morte do filho, com trilha sonora de uma ópera de Handel.

Trailer

Ficha técnica
Antichrist (2009)
Direção: Lars Von Trier
Elenco: Charlotte Gainsbourg, Willem Dafoe
Duração: 104 minutos
  


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Serra Pelada

    Uma parte importante da história recente do Brasil é o mote para o filme "Serra Pelada". O maior garimpo a céu aberto do mundo, que dá nome ao filme, causou, no início dos anos 1980, uma corrida ao ouro perpetrada por milhares de garimpeiros vindos de todas as partes do Brasil. O filme recria com louvor o cenário desolador, caótico e inóspito de um garimpo, muitas vezes misturando imagens reais àquelas fictícias.
    Na história conhecemos Joaquim e Juliano, amigos de infância que, após conhecerem o promissor garimpo de Serra Pelada através dos noticiários, partem para o estado do Pará em busca de ouro para melhorar de vida, assim como tantos outros que encontram por lá. Os dois amigos têm personalidades bastante diferentes, e isso lhes trará, no decorrer da história, alguns problemas definitivos para o desfecho de suas trajetórias. Eles iniciam cavando e contratando alguns homens para o seu barranco. Logo no início arranjam problemas: Serra Pelada é uma terra sem lei, onde manda quem tem dinheiro e armas. O sistema corrompe e "piora a gente".
    Algumas imagens do garimpo, uma montanha que se transformou num grande buraco, como é dito por Joaquim, o narrador da história, são realmente impressionantes. O formigueiro constituído por homens, suor, terra, prostíbulos, ganância e tiros causa angústia e insegurança. O roteiro é bom, ágil, e consegue prender a atenção. Há personagens incríveis, como Lindo Rico, um tipo asqueroso, bandido metido a esperto e que está sempre mastigando alguma coisa.
    O mais legal do filme: a recriação de Serra Pelada, baseada em pesquisas históricas, realizada em três diferentes cidades dos estados de São Paulo e Pará.

Trailer

Ficha Técnica
Serra Pelada (2013)
Direção: Heitor Dhalia
Elenco: Júlio Andrade, Juliano Cazarré, Sophie Charlotte, Wagner Moura, Matheus Nachtergaele
Duração: 100 minutos

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Jobs

    A realização de um filme biográfico tem um grande poder inerente: o de influenciar a visão de uma audiência enorme de pessoas sobre determinada personalidade. A maneira como o roteiro é construído, o destaque que é dado a determinados fatos em detrimento de outros, a edição, a atuação do elenco, além de inúmeros outros fatores contribuem para a nossa interpretação da vida de pessoas reais que acabam sendo transformadas em personagens de filme. Uma vida resumida em duas horas? Impossível não cair em clichês e descontinuidades.
    Assim é o filme em questão, que conta a vida de Steven Jobs, co-fundador, diretor e visionário da Apple, atualmente uma das empresas de maior importância e reputação na área de tecnologia do mundo. A história começa no fim, com Jobs já velho e debilitado (em função do câncer que o levou ao óbito em 2011), lançando o iPod frente a uma plateia encantada. Depois há um salto ao passado, nos anos 1970, onde vemos Steve na faculdade que já havia largado, cheio de ideias e aspirações e a partir daí a história transcorre.
    O filme enfatiza duas vertentes de Jobs: gênio e cretino. Tinha uma habilidade enorme de criar e estimular a criação, negociar, falar a um coletivo, mas era péssimo nas relações pessoais, dando mais importância às suas criações e projetos do que às pessoas e aos amigos. Seu parceiro na fundação da Apple, Steve Woz, disse que o filme não representa bem a realidade, mas fazendo uma breve pesquisa sobre Jobs, dá pra concluir que como ser humano, ele era um ótimo idealizador de máquinas.
    O mais legal do filme: ver o processo de surgimento da Apple e dos computadores pessoais.

Trailer

Ficha Técnica
Jobs (2013)
Direção: Joshua Michael Stern
Elenco: Ashton Kutcher, Josh Gad, Dermot Mulroney, Lukas Haas, Matthew Modine, J. K. Simmons
Duração: 127 minutos

domingo, 29 de setembro de 2013

O Tempo e o Vento

    Sempre há riscos ao adaptar a história de um livro para o cinema. A complexidade da história e a riqueza dos personagens geralmente fica comprometida e dificilmente conseguimos separar as duas obras. Mais perigoso ainda é adaptar um livro de grande importância literária para o cinema. A saga "O Tempo e o Vento", que conta a história do Rio Grande do Sul através da família Terra Cambará, dividida em sete livros e obra-prima de Erico Verissimo (um dos meus escritores favoritos), é uma obra de grande importância literária. A adaptação, em minha visão, falhou grandemente, muito mais do que se poderia esperar.
    A impressão que tive ao assistir o filme: estou vendo uma minissérie "açucarada" da Rede Globo. Muitos suspiros, olhares que não dizem nada, clichês. Ana Terra, personagem importantíssima da literatura brasileira, foi vergonhosamente interpretada, sem nada da força que deveria mostrar, e muitas caras e bocas forçosamente sensuais. Nada convincente. Poucas cenas de "peleia". Pouca emoção. Pouco vento.
    Os personagens Bibiana e Capitão Rodrigo, este presente na imaginação dela, são os que nos conduzem através da história da família e, de certa forma, salvam o filme de um desastre maior. Ainda destaco o fato de que apenas a primeira parte da história foi contada. O título "O Continente" seria mais propício, ao invés do nome completo da saga, pois o filme mostra apenas este primeiro volume (os outros dois volumes do livro são "O Retrato" e "O Arquipélago").
    O mais legal do filme: a probabilidade de que mais pessoas venham a ler a obra de Erico.

Trailer

Ficha Técnica
O Tempo e o Vento (2013)
Direção: Jayme Monjardim
Elenco: Thiago Lacerda, Fernanda Montenegro, Cléo Pires, Marjorie Estiano, Paulo Goulart
Duração: 127 minutos

domingo, 8 de setembro de 2013

Melancolia (Melancholia)


    "Melancolia" é um filme sobre uma temática bastante conhecida no cinema, mas abordada de uma forma totalmente diferente. O possível fim do mundo se aproxima, mas não há invasões alienígenas, criaturas quase indestrutíveis, pragas ou catástrofes naturais como terremotos e tsunamis. A causa do fim da humanidade poderá ser um planeta denominado Melancolia, que se aproxima da Terra com chances de um choque arrasador.
     Há uma estética diferenciada, apegada ao detalhe, à composição belíssima de cores e luzes e a um ritmo de filmagem muito peculiar em todo o filme. Todos esses aspectos convergem para criar uma sensação que combina com o estado de espírito dos personagens frente a um acontecimento inédito e desconhecido, prestes a ocorrer.
    O filme é dividido em duas partes, estrutura comum na obra de Lars Von Trier, diretor dinamarquês controverso e original. Na primeira parte conhecemos Justine em seu casamento, numa festa muito requintada na casa de sua irmã Claire. Esta dá nome à segunda parte do filme, quando as relações e emoções dos personagens diante do planeta Melancolia ficam mais aparentes.
    Há que se aproveitar cada segundo assistindo. Logo que termina surge a vontade de ver de novo pra perceber novos aspectos e entrelinhas. Sentimentos, os mais variados, serão despertados: admiração, tristeza, e claro, uma melancolia reflexiva e arrebatadora, que me fez ter sonhos durante todo o sono da noite posterior à apreciação do filme.
    O mais legal do filme: as cenas iniciais, quadros vivos perturbadores e fascinantes.

Trailer (site oficial)

Ficha Técnica
Melancholia (2011)
Direção: Lars Von Trier
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland
Principais premiações: Filme (Prêmios do Cinema Europeu), Atriz para Kirsten Dunst (Cannes)
Duração: 130 minutos
    

sábado, 31 de agosto de 2013

Tese Sobre Um Homicídio (Tesis Sobre Um Homicídio)

    Na Faculdade de Direito e Ciências Sociais de Buenos Aires leciona Roberto Bermudez, um professor de direito muito conceituado e um tanto solitário, que está iniciando um curso de pós-graduação para poucos alunos. Um desses alunos é Gonzalo, filho de um antigo amigo (ou ex-amigo; isto não fica bem claro no filme) de seu professor, que não esconde sua admiração por Roberto. Durante uma das aulas, um crime ocorre no estacionamento do belo prédio da faculdade. O estupro e assassinato de uma jovem praticamente em sua frente, como ele mesmo fala, deixam Roberto impactado. Ele inicia então uma investigação pessoal sobre o caso, e acaba tendo como principal suspeito Gonzalo, seu próprio aluno, o qual conhece desde menino. Este o intriga com certas teorias e opiniões sobre a justiça, que dão início ao jogo de montagem do quebra-cabeça.
    Esse filme é uma prova de que não são necessários tiros, perseguições ou vilões para se fazer um ótimo filme de suspense. A busca por respostas empreendida pelo personagem principal da história gera um clima de tensão e suspense extremamente atrativo. Quem assiste também é levado a criar suposições e teses sobre quem de fato é o responsável pelo crime e a percepção de cada detalhe se torna importante para tentarmos desvendar o caso em conjunto com o personagem. O filme também propicia um debate sobre o papel da justiça na sociedade e, mais especificamente, em suas diferentes classes sociais.
    O mais legal do filme: o cenário de uma das últimas cenas, o espetáculo real "Fuerza Bruta", de uma companhia artística argentina que está há anos em cartaz em NY.

Trailer

Ficha Técnica
Tesis Sobre Um Homicídio (2013)
Direção: Hernán Goldfrid
Elenco: Ricardo Darín, Alberto Ammann, Calu Rivero, Arturo Puig
Duração: 108 minutos

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Menos Que Nada

    Dante era um menino tímido e solitário quando criança. Sua mãe faleceu durante a infância e ele afastou-se de sua amiga de brincadeiras e de escola. Agora adulto, Dante vive em um Hospital Psiquiátrico e encontra-se num quadro de esquizofrenia, sem receber visitas e sem história pra contar. Até que Paula, uma psiquiatra residente, resolve conhecer mais sobre o seu caso, utilizando-o como objeto de seu trabalho de conclusão de curso.
    Ao procurar os registros sobre o paciente no arquivo do hospital, Paula depara-se com a total falta de informações sobre sua história pregressa e sua família. Ela consegue apenas 3 nomes de pessoas que podem saber algo sobre Dante, pois foram os últimos visitantes que ele recebeu. A partir dessa busca, intermediada pelo instinto e pela determinação de Paula, a história de Dante vai sendo desenterrada, e a descoberta da razão pela qual ele encontra-se nesse estado aproxima-se no decorrer da trama, em meio a pás, vídeos e arqueologia.
    Livremente inspirado no conto "O Diário de Redegonda" (Arhur Schnitzler, Viena, Século XIX), o filme é rodado em Porto Alegre e na praia do Cassino/RS. Um dos cenários mais recorrentes é o histórico Hospital Psiquiátrico São Pedro, que o é na realidade, tendo sido o primeiro do estado gaúcho. Não há um debate explícito sobre a questão da saúde mental e do atraso deste tipo de ambiente, mas imagens e diálogos específicos cumprem bem este papel.
    O mais legal do filme: a própria história contada, que cria expectativas e necessidades de respostas que vão sendo atendidas aos poucos, incluindo aí o curioso título do filme.

Filme completo
Trailer

Ficha Técnica
Menos Que Nada (2012)
Direção: Carlos Gerbase
Elenco: Felipe Kannenberg, Branca Messina, Rosanne Mulholland, Maria Manoella, Carla Cassapo, Roberto Oliveira, Artur José Pinto, Alexandre Vargas
Duração: 105 minutos

sábado, 17 de agosto de 2013

Crash - No Limite (Crash)

Esta resenha foi escrita por Manoela Strait, minha querida aluna de 8ª série, para um trabalho em nossa aula de Sociologia.

    O filme "Crash - No Limite: Até que Ponto Você se Conhece?" é um drama que se passa em Los Angeles, Estados Unidos, e a história dura 36 horas. Tem como tema principal o preconceito e as nossas diferenças. Ele aborda esses assuntos usando fatos que ocorrem no nosso dia a dia. Mostra como a sociedade é hoje diante do diferente e as consequências que isso traz para a nossa vida. De forma clara, o filme consegue demonstrar como nossos pensamentos em relação ao outro podem estar errados e como isso se torna prejudicial à sociedade.
    Em uma das histórias, um casal é parado em uma blitz, e quando um dos policiais vai revistar a mulher, ele também abusa dela. O outro policial, parceiro deste, não concorda com a situação e o policial que abusou dela, passa o filme sendo visto como o vilão. Mas no outro dia, a mulher sofre um acidente e o policial, que havia abusado dela, lhe salva a vida. Já aquele que reprovou o colega no outro dia, acaba cometendo um ato racista. Ou seja, o mocinho vira vilão, e vice-versa.
    Na minha opinião, o filme deve ser assistido, pois ele demonstra o conjunto de preconceitos presentes na sociedade. E como esse fato está presente em ações do nosso cotidiano. Ele passa a mensagem de que os padrões que nós impomos na nossa cabeça é uma realidade diferente daquela que é apresentada pela sociedade.

Trailer

Ficha Técnica
Crash (2004)
Direção: Paul Haggis
Elenco: Don Cheadle, Sandra Bullock, Matt Dillon, Brendan Fraser, Ryan Phillippe, Thandie Newton, Ludacris
Duração: 112 minutos
Principais premiações: Filme (Oscar), Roteiro Original (Oscar, Bafta), Atriz Coadjuvante para Thandie Newton (Bafta), Edição (Oscar).

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Vênus Negra (Venus Noire)

    Este filme é baseado em uma história real, ocorrida no início do século XIX na Europa. Saartjie Baartman era uma mulher sul-africana que trabalhava como empregada de uma família de colonos holandeses na Cidade do Cabo. Com 20 anos foi levada pelo irmão de seu chefe para a Inglaterra com o objetivo de fazer apresentações e conquistar sucesso e riquezas. Essa foi a promessa, mas não a realidade. Essas apresentações tratavam-se de exibir seu corpo, já que suas dimensões corporais eram inusitadas aos europeus, principalmente por suas nádegas avantajadas. Em função do formato de seu corpo, Saartjie foi chamada de Vênus Hotentote (hotentote era o nome usado pelos colonizadores europeus para denominar alguns grupos étnicos do Sul da África.).
    A ciência também teve contatos com Saartjie, sempre preocupada em medições e padronizações para diferenciar europeus de africanos, e assim proceder as suas hierarquizações embasadas "cientificamente".
    Este filme é importante por mostrar uma história européia que talvez poucos conheçam: a moda dos zoológicos humanos e das apresentações nos circos de etnias consideradas selvagens ou grotescas. Também traz a tona o caráter duvidoso da ciência feita à época, ainda alheia a conceitos éticos que hoje são imprescindíveis. Mas quanto a contar a história da personagem, acho que filme fica devendo muito. Há um enfoque muito grande nas cenas das apresentações e no corpo da personagem, e pouco na consciência e nos sentimentos dela. Sem falar que há cenas completamente nonsense...
    O mais legal do filme:  Saartjie tocando instrumentos africanos perante o público.

Trailer

Ficha Técnica
Venus Noire (2010)
Direção: Abdellatif Kechiche
Elenco: Yahima Torres, Olivier Gourmet, François Marthouret, Andre Jacobs, Elina Lowensohn
Duração: 159 minutos

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Traffic

    Este filme tem uma característica que eu aprecio muito: várias histórias, que de alguma forma se cruzam, são apresentadas aos poucos a quem assiste. Isso geralmente dá a ideia de que a história de alguém sempre está ligada a diversas outras, de que nada é completamente independente, e de que o universo, a sociedade, a realidade, ou seja lá como denominemos esse lugar e tempo onde vivemos a cada dia, é um todo do qual fazemos parte.
    Neste filme o elo de ligação entre as histórias é o tráfico de drogas realizado entre México e Estados Unidos. Os personagens principais não chegam a se conhecer, mas suas histórias preenchem um ciclo de venda-consumo-combate de substâncias ilícitas.
    São basicamente 3 histórias que ocorrem paralelamente. A primeira é a de Javier Rodriguez, um policial que trabalha na fronteira entre os 2 países e tenta como pode sobreviver aos jogos corruptos que mantém próximos crime e lei. A outra é a de Robert Wakefield, um magistrado recém nomeado para o cargo de chefe da política de combate às drogas dos E.U.A., que não percebe que sua filha é viciada nessas substâncias. Ainda há Helena Ayala, esposa de um líder do tráfico, que pensa ser casada com um empresário honesto bem sucedido. Quem não aparece mesmo é o traficante vendedor, de classe baixa, que vive na linha de fogo. Essa discussão social aparece em apenas uma fala do policial Javier, mas acaba tendo uma certa importância no fechamento da história.
    O mais legal do filme: há uma concepção de fotografia diferente para cada um dos três personagens, o que lhe confere uma riqueza estética maior, além de corroborar com o contexto de cada história.
 
Trailer

Ficha Técnica
Traffic (2000)
Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Michael Douglas, Benicio del Tor, Catherine Zeta-Jones, Don Cheadle, Dennis Quaid, Erika Christensen
Duração: 147 minutos
Principais premiações: Direção (Oscar), Ator Coadjuvante para Benicio Del Toro (Oscar, Bafta, Globo de Ouro e Festival de Berlim), Roteiro e Roteiro adaptado (Oscar, Bafta e Globo de Ouro).