Mostrando postagens com marcador Cinema Norte-Americano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema Norte-Americano. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Boyhood - Da Infância à Juventude

    O mais óbvio argumento para convencer alguém a assistir esse filme é dizer que nunca antes houve um projeto igual na história do cinema (ao menos que eu ou o Google saibamos). Trata-se de um único filme que demorou doze anos para ser concluído, acompanhando assim o amadurecimento de seu elenco. Nem a série de filmes de Harry Potter, com oito produções, acompanhou tanto tempo na vida de seus jovens atores.
    O realizador desta obra audaciosa é Richard Linklater, diretor e roteirista de três dos meus filmes preferidos: Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite. Esta também é uma maravilhosa trilogia que abarca dezoito anos na vida de um casal, mas tratam-se de filmes lançados separadamente, e os atores são já adultos quando os conhecemos. A magia de Boyhood é ver duas crianças crescendo durante doze anos, tornando-se adolescentes e jovens, fazendo escolhas, tudo isso em um mesmo filme.
    Conhecemos Mason quando ele tem seis anos, vive com sua irmã Samantha e com sua mãe, Olivia, recebendo visitas esporádicas de seu pai. Através das diferentes fases pelas quais a família passa, eventos que poderiam acontecer com qualquer família da vida real, acompanhamos as relações entre os personagens principais, novos casamentos, amizades construídas e perdidas, mudanças de cidade, além de eventos históricos, como as eleições presidenciais, o lançamento de um novo livro de Harry Potter ou o surgimento de Lady Gaga. Tudo isso, por acontecer ao longo de tantos anos e mostrar o crescimento verdadeiro das duas crianças, além do envelhecimento dos pais, faz com que o filme transforme-se num registro incrível e único da passagem do tempo e do crescimento pelo qual todos nós passamos, mesmo que não estejamos preparados para ele. Um filme encantador e emocionante, que fala da vida e apenas isso.
    O mais legal do filme: a história provoca nostalgia, reflexão sobre a vida e uma enorme vontade de recordar nossa infância e adolescência. 


Ficha Técnica
Boyhood (2014)
Direção: Richard Linklater
Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke, Lorelei Linklater.
Principais premiações: Melhor filme e melhor filme dramático (BAFTA e Globo de Ouro), melhor diretor (BAFTA e Globo de Ouro), melhor atriz coadjuvante para Patrícia Arquette (Oscar, BAFTA e Globo de Ouro)
Duração: 165 minutos
Curiosidade: a atriz que faz o papel de Samantha é filha única do diretor do filme. 


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Seven - Os Sete Crimes Capitais (Seven)

    Depois de assistir a esse filme há alguns dias atrás, fiquei inconformada por ter demorado tanto para fazê-lo. Por isso, se você também ainda não o assistiu, não demore tanto quanto eu.
    O elenco já seria motivo suficiente para despertar o interesse: Morgan Freeman e Brad Pitt são os protagonistas desse suspense e formam uma daquelas duplas peculiares de policiais, um clássico no gênero suspense investigativo. Outro motivo para assistir o longa é o seu diretor, que também goza de boa reputação, David Fincher, que dirigiu, posteriormente, os ótimos "Clube da Luta" (1999), "O Curioso Caso de Benjamin Button" (2008) e "Millenium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres" (2010), entre outros.
    Além das credenciais técnicas, a história do filme é bastante interessante, e apresenta um caso de assassinato em série, gênero de crime que, particularmente, sempre me intriga. Perscrutar, analisar e descobrir os motivos que levam uma pessoa a cometer tal atrocidade é sempre um desafio aterrorizante, e essa possibilidade é explorada inteligentemente nesse filme.
    Aqui há uma lógica nos assassinatos: eles seguem os sete pecados capitais definidos pela Igreja Católica (Gula, Avareza, Preguiça, Luxúria, Orgulho, Inveja e Ira), atingindo pessoas metodicamente escolhidas. O personagem serial killer sociopata responsável pelos crimes é considerado como um dos grandes vilões do cinema e houve um suspense sobre o ator que o encarna antes da estreia do filme: seu nome não aparece nos créditos iniciais nem nos materiais de divulgação, inclusive trailers (e eu mantive o suspense e não inclui o nome do ator na Ficha Técnica abaixo).
    O mais legal do filme: o final. Deve-se estar preparado.

Trailer

Ficha Técnica
Seven (1995)
Direção: David Fincher
Elenco: Morgan Freeman, Brad Pitt, Gwyneth Paltrow
Duração: 130 minutos
 

domingo, 31 de agosto de 2014

A Culpa é das Estrelas (The Fault In Our Stars)

    "Só tem uma coisa pior nesse mundo que bater as botas aos dezesseis anos por causa de um câncer: ter um filho que bate as botas por causa de um câncer." Essa é uma das frases que Hazel Grace, personagem principal da história adaptada do livro best-seller de John Green, profere logo no início do filme, e uma das mais marcantes para mim. Simboliza bem dois dos pilares da história, quais sejam: a relação de Hazel com sua mãe, que tenta melhorar sua vida de todas as formas possíveis; e sua relação com a doença, um desgosto conformado.
    Hazel é uma adolescente de dezesseis anos, diagnosticada aos treze com câncer de tireoide. Seus pulmões afetados pela doença fazem com que ela tenha que carregar um cilindro de oxigênio para poder respirar. Em um grupo de apoio ela conhece Augustus waters, um ano mais velho do que ela, com rosto de galã e uma perna amputada em decorrência de um câncer nos ossos. Após certa relutância, Hazel passa a aprender com Augustus a lidar com sua doença com um pouco mais de humor e de esperança.
     Este é, sem dúvida, um romance adolescente, porém um pouco diverso dos demais. Um casal com uma perna a menos e duas cânulas no nariz a mais é, sem dúvida, um casal fora do modelo adolescente de Hollywood. Além disso, sabe-se que as coisas podem não dar certo no fim, não porque um dos dois vai ser infiel, querer ficar com outras pessoas ou ser alvo de um mal-entendido, mas sim porque a doença pode levá-los a óbito.
    O mais legal do filme: a mensagem passada para os adolescentes: nossas imperfeições e problemas não impedem o surgimento do amor.


Ficha Técnica
The Fault In Our Stars (2014)
Direção: Josh Boone
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Laura Dern, Willen Dafoe, Nat Wolff, Sam Trammel.
Duração: 125 minutos


A Ponte (The Bridge)

    
    A ponte Golden Gate é um dos cartões postais mais famosos dos Estados Unidos, uma construção já considerada como uma das sete maravilhas da engenharia no mundo, e um dos locais mais visitados no estado da Califórnia. Ela liga a metrópole de São Francisco à cidade de Sausalito, tem quase 70 metros de altura em relação ao mar e dois quilômetros de extensão em suspensão. Mas para além da beleza e das proporções espantosas, a ponte esconde um drama: é o segundo local mais escolhido no mundo para cometer suicídio.
    Ao longo do ano de 2004, a equipe do filme, através de câmeras instaladas em vários pontos diferentes, funcionando diariamente, registrou 23 suicídios, dos 24 que ocorreram naquele ano, além de diversas tentativas de suicídios não concretizadas. Além dessas imagens, que perturbam e emocionam, a equipe entrevistou familiares e amigos de algumas das pessoas que foram registradas em seus últimos momentos de vida, ajudando a contar suas histórias e a tentar entender os motivos pelos quais tomaram essa decisão.
    A mim foi impossível não sentir uma profunda tristeza, um sentimento de vazio perante à frágil racionalidade da vida, e até uma admiração por essas pessoas: elas sentiram algo que a maioria de nós jamais será capaz de sentir ou de compreender.
    O mais legal do filme: é um filme bonito sobre um assunto doloroso. O suicídio foi abordado de forma a não condenar ou culpar ninguém. As pessoas mostradas foram tratadas com respeito, assim como sua decisão. Uma das entrevistas, com os pais de um jovem que saltou da ponte, me tocou profundamente: eles compreenderam que, para o filho, saltar era libertar-se.
OBS: Há dois meses, foi aprovada pela autoridade responsável a construção de uma rede de proteção para evitar suicídios. Fiquei feliz com a notícia.

Trailer
Filme completo legendado
Site oficial

Ficha Técnica
The Bridge (2006)
Direção: Eric Steel
Inspirado no artigo "Jumpers", escrito por Ted Friend, publicado na revista The New Yorker em 2003.
Duração: 95 minutos

    

quarta-feira, 9 de julho de 2014

10 Anos de Pura Amizade (10 Years)

    Um filme que se passa em apenas uma noite: já começo gostando! Trata-se de um reencontro de uma turma de Ensino Médio, dez anos após a formatura. Uma comissão cria a festa e convida a todos para a noite em que vão se reencontrar, conversar, apresentar suas famílias, relembrar histórias e exibir suas conquistas pessoais ou tentar esconder seus fracassos. Enquadra-se naquela categoria de filmes bacanas que mostram um grupo de amigos levando a vida com tropeços e acertos.
    Há seis histórias principais sendo contadas enquanto os ex-colegas vão se encontrando e demonstrando como passaram seus últimos anos. Casamentos iniciando e outros falindo, antigos namorados, conquista da fama, fracassos amorosos, perda da popularidade que havia na escola e mudanças radicais de personalidade são alguns dos assuntos trazidos à tona pelo filme, leve, divertido, e simultaneamente, com profundidade suficiente pra fazer quem assiste refletir sobre sua própria história escolar e a jornada traçada por si e por seus amigos após a formatura.
    Destaque para duas das histórias: uma delas mostra Reeves, um músico que alcançou a fama com a música "Never Had", e Elise, garota que lembrava-se dele vagamente, mas que teve grande importância em sua vida; a outra refere-se a Anna, garota muito popular na época da escola, que com a ajuda involuntária de Marty e AJ, consegue superar as mudanças fundamentais que ocorreram em sua vida.
    O mais legal do filme: o ator que interpreta o cantor Reeves, Oscar Isaac, é realmente músico e protagoniza, cantando, a cena mais bonita do filme. 


Ficha Técnica
10 Years (2011)
Direção: Jamie Linden
Elenco: Channing Tatum, Jenna Dewan, Rosario Dawson, Oscar Isaac, Kate Mara, Justin Long, Chris Pratt, etc.
Duração: 100 minutos 

sábado, 24 de maio de 2014

Histórias de Amor (Liberal Arts)

    Apaixonei-me perdidamente por este filme! Fui atraída para ele por causa do ator e diretor, Josh Radnor, protagonista da série "How I Met Your Mother", da qual eu gosto muito. Não tinha muitas pretensões, mas pelo trailer, parecia ser um filme leve e interessante. Minhas expectativas foram superadas ao ver tantas coisas que eu amo presentes no roteiro: Teatro, Música Clássica, os campi de universidades antigas, discussões sobre ideias e sentimentos e, principalmente, livros, todos em cenas entregues em uma bandeja reluzente ao público, cheias de beleza, sutileza e contemplação. 
    O título original do filme menciona um formato de ensino superior bastante presente na tradição educacional da América Anglo-Saxônica, os bacharelados em Artes Liberais, que seriam estudos mais filosóficos, voltados para o desenvolvimento da intelectualidade, da lógica, do conhecimento das humanidades e das artes; um estudo que se contrapõe aos cursos superiores focados na parte técnica ou mecânica da sociedade, que objetivam a preparação para produção de materiais utilitários para o cotidiano. Já o título em português deve referir-se às histórias de amor pelo ensino, pelas artes e pelo passado, pois amor romântico, naquele formato já conhecido dos filmes de romance, há pouco.
    Temos como protagonistas Jesse, um homem de 35 anos que graduou-se em Artes Liberais, viciado em Literatura, que sente muita saudade da vida na universidade; Zibby, uma jovem de 19 anos, que está no segundo ano de Teatro e História da Arte na mesma faculdade; e o próprio campus da Ohio University, cheio de gramados verdes e prédios antigos, que apresenta ainda mais três personagens que enriquecem a trama.
    O mais legal do filme: Jesse e Zibby trocam cartas, em pleno ano de 2012!


Ficha Técnica
Liberal Arts (2012)
Direção: Josh Radnor
Elenco: Josh Radnor, Elizabeth Olsen, Richard Jenkins, Allison Janney, John Magaro, Elizabeth Reaser, Zac Efron
Duração: 97 minutos

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes)

    Existe um teste sobre filmes conhecido como "Bechdel Test", originado de um quadrinho da cartunista americana Alison Bechdel. Ele tem o objetivo de analisar a presença de personagens femininas no mundo cinematográfico e a sua relevância nas histórias dos filmes. Para que um filme passe no teste você deve responder "sim" a três questões sobre ele: existem pelo menos duas personagens femininas com nome no filme? elas conversam entre si? essas conversas são sobre outras coisas a não ser homens?  
    Uma rápida análise dos filmes que entraram no circuito comercial nos últimos anos demonstra que a proporção de filmes que não passam no teste é enorme. Por isso, e por milhares de outros motivos, é que este filme é espetacular! Ele não apresenta apenas duas personagens femininas fantásticas, mas quatro! E há ainda uma quinta personagem que ao final do filme se mostra importantíssima para a história...
    Evelyn Couch é uma dona de casa deprimida e solitária, que tenta de tudo para agradar o marido, sem obter sucesso. Em uma visita a uma parente num asilo, ela conhece Ninny Threadgoode, uma senhora alegre e dona de uma ótima memória. Elas, aos poucos, se tornam amigas e Ninny passa a contar a linda e peculiar história de Idge e Ruth, duas jovens mulheres independentes que enfrentaram o racismo e o machismo da sociedade sulista dos anos de 1930 e 40 e envolveram-se no misterioso caso do desaparecimento de um homem.
    O mais legal do filme: além da delicadeza na direção e da belíssima atuação das quatro atrizes, a liberdade dada à nossa imaginação, principalmente em dois aspectos que não são declarados, possibilitando imaginar e entender os detalhes do nosso jeito.

Trailer
Filme completo no youtube

Ficha Técnica
Fried Green Tomatoes (1991)
Direção: Jon Avnet
Elenco: Kathy Bates, Jessica Tandy, Mary Stuart Masterson, Mary-Louise Parker, Cicely Tyson, Stan Shaw
Duração: 130 minutos
    
    

domingo, 30 de março de 2014

Amor e Outras Drogas (Love and Other Drugs)

    Você certamente já conhece a história desse filme. Um homem do tipo conquistador, com dificuldades para expressar seus sentimentos e pouco auto-conhecimento, que não se apega a nada nem a ninguém, conhece uma mulher por um acaso. Com ela, tudo é diferente, e ele se apaixona. Mas essa mulher não pode ter um relacionamento e precisa mantê-lo a uma distância segura para não sofrer.
    Essa é uma trama bastante repetida em Hollywood. Há muitos filmes do tipo, em que uma mulher ajuda um homem a amadurecer, se encontrar, ser uma pessoa melhor. Mas por mais que apresente esta fórmula já conhecida, o filme aborda também outros dois assuntos que eu ainda não havia visto neste gênero: o absurdo funcionamento da Indústria Farmacêutica e o Mal de Parkinson. Jamie Randall (personagem inspirado em Jamie Reidy)é um representante comercial da Pfizer, um dos grandes laboratórios do mercado. Maggie Murdock é uma mulher de 26 anos com Mal de Parkinson, uma doença degenerativa do Sistema Nervoso Central. Eles iniciam um relacionamento com a promessa de que não haverá nada além de sexo casual. Mas os sentimentos, claro, acabam fugindo ao controle dos dois.
    Acho que é um mérito deste filme abordar dois temas que, provavelmente, sejam desconhecidos da maior parte do público ao qual ele é direcionado. E não posso deixar de comentar também o fato de que, segundo meus conceitos, conseguiram criar o casal  cinematográfico mais bonito dos últimos tempos.
    O mais legal do filme: mostra, ainda que humoristicamente, os esquemas nojentos entre laboratórios e médicos e ilumina nossa visão sobre o Parkinson com leveza e beleza.

Trailer

Ficha Técnica
Love and Other Drugs (2010)
Direção: Edward Zwick
Elenco: Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway, Josh Gad, Oliver Platt, Hank Azaria, Gabriel Macht
Duração: 113 minutos

terça-feira, 18 de março de 2014

O Homem Que Fazia Chover (The Rainmaker)


       Dirigido por Francis Ford Coppola e estrelado por um grande elenco, este ótimo filme tem os tribunais como cenário. Aqui conhecemos o jovem e recém formado (e carismático) advogado Rudy Baylor, que no início da trama se vê obrigado financeiramente a trabalhar em um escritório mercenário, de advogados que ficam à espreita nos hospitais, aliciando pacientes, clientes em potencial. Rudy, porém, é um rapaz idealista, que pretende ajudar as pessoas com sua profissão. 
    No momento de sua contratação, ele já tem dois clientes: Miss Birdie, uma idosa solitária, que pretende ajustar os beneficiários de seu testamento de uma forma bastante peculiar; e os Black, uma família bastante problemática em processo contra o seu plano de saúde, já reconhecido por sua renomada equipe de advogados que ganham todas as causas levadas à justiça. O processo ocorreu em função das inúmeras negativas de cobertura do transplante de medula que Donny Ray Black, o filho do casal, necessitava, em função de sua leucemia, já em estágio avançado. Quando está no hospital procurando clientes e estudando o caso de Donny ray, Rudy conhece Kelly Riker, uma mulher que é espancada constantemente pelo marido.
    O mais legal do filme: Traz a tona duas discussões bastante salientes atualmente, quais sejam, o ideal de justiça de certos profissionais ligados ao direito em oposição ao exercício da profissão de forma puramente econômica e, muitas vezes, corrupta, e as imensas falhas estruturais nos planos de saúde, que oferecem uma série de empecilhos para dar cobertura médica quando os usuários mais precisam, sempre tendo como prioridade a economia de verba, em detrimento da saúde das pessoas.

Trailer

Ficha Técnica
The Rainmaker (1997)
Direção: Francis Ford Coppola
Elenco: Matt Damon, Jon Voight, Danny DeVito, Claire Danes, Danny Glover, Virgina Madsen
Duração: 135 minutos
    

domingo, 16 de março de 2014

Miss Representation

    Miss Representation é um documentário dirigido por Jennifer Siebel, uma atriz e, a partir deste, diretora dos Estados Unidos. O título do filme, sem tradução oficial em português, é um trocadilho com a palavra "miss": ela significa falta de alguma coisa (neste caso, falta de representação), mas também é a alcunha das vencedoras dos repetitivos concursos de beleza que ocorrem mundialmente. Jennifer justifica a realização do documentário com o nascimento de sua primeira filha, Montana. Ela diz que, a partir disto, começou realmente a refletir sobre as armadilhas sexistas em que ela própria havia caído, como mulher e como atriz.
    O documentário mostra o grande poder da mídia para a construção das identidades de meninos e meninas, apesar de o foco estar na imagem destas últimas. A situação analisada refere-se aos E.U.A., mas pode facilmente ser estendida a outros países, incluindo o Brasil, que copia da América do Norte a maioria de sua produção midiática. Para essa análise, faz uso de estatísticas, entrevistas com figuras políticas, atrizes, diretoras e roteiristas e estudantes do Ensino Médio, e ainda apresenta imagens veiculadas pela Indústria Cultural, o que inclui publicidade, filmes, games, noticiários, etc.
    Logo no início recebemos a informação de que os jovens passam em média 11 horas por dia conectados a algum tipo de mídia, incluindo mídia impressa, televisiva e virtual. Como negar o poder de influência da mídia na construção de nossa sociedade, se os futuros adultos passam mais tempo com a mídia do que em qualquer outro espaço?
    O mais legal do filme: ao final são sugeridas diversas ações que cada um pode ter para modificar esse cenário injusto e nocivo.

Trailer
Filme completo legendado

Ficha Técnica
Miss Representation (2011)
Direção: Jennifer Siebel Newson
Entrevistas: Jane Fonda (atriz), Geena Davis (atriz), Condoleezza Rice (Secretária de Estado), Katie Couric (âncora de telejornal), etc.
Duração: 86 minutos
  

domingo, 23 de fevereiro de 2014

12 Anos De Escravidão (12 Years A Slave)

    Solomon Northup é um violinista casado, pai de um casal de filhos, residente de Nova York, E.U.A, vivendo o ano de 1841. É negro em um país onde a escravidão de afro-americanos não é apenas legítima, como amplamente difundida nos estados do Sul, mas livre, sustentando-se como músico animador de bailes da elite da sociedade local.
    Certo dia, dois homens lhe são apresentados. Estes lhe oferecem um trabalho temporário como músico em um espetáculo que estavam a promover em Washington. Solomon aceita o convite e é levado até a cidade. O golpe praticado pela dupla é revelado quando o violinista acorda acorrentado em um cativeiro. Dali, juntamente com outras cinco pessoas, é levado para um navio rumo a um mercado de escravos na Louisiana.
    Baseado em uma história real, contada em livro autobiográfico homônimo lançado em 1853, o filme tem uma das cenas mais angustiantes a que já assisti. O desconforto dos espectadores no cinema, não apenas nesta cena, como em todas as outras que revelam o sadismo e a perversidade de um sistema que, incrivelmente, sustentou-se durante tanto tempo, defendido por tantas pessoas, é facilmente perceptível. Como não sair do cinema perturbado após ter os sentidos inundados pelas atrocidades que criaturas de nossa mesma espécie foram capazes de cometer?
    Atuações extraordinárias e uma trilha sonora intensa contam uma história que todos devem conhecer.
    O mais legal do filme: Há uma cena belíssima e, ao mesmo tempo, extremamente dolorosa: um grupo de escravos canta "Roll Jordan Roll", canção negro spiritual.

Trailer

Ficha Técnica
12 Years A Slave (2013)
Direção: Steve McQueen
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Lupita Nyong'o, Paul Dano, Brad Pitt, Sarah Paulson, Benedict Cumberbatch
Principais premiações: Filme e Filme Drama (Oscar, BAFTA e Globo de Ouro), Ator para Chiwetel Ejiofor (BAFTA), Atriz Coadjuvante para Lupita Nyong'o (Oscar)
Duração: 133 minutos

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Menina Que Roubava Livros (The Book Thief)

    Este é mais um filme, entre os outros tantos lançamentos do cinema, que traz a adaptação de uma obra literária para a sétima arte. Sobre este assunto, há uma série de quatro vídeos chamada "Everything is a Remix", lançada há poucos anos por Kirby Ferguson. Segundo ele, dos dez filmes que mais arrecadaram em cada um dos últimos dez anos, 74 de 100 são sequências, refilmagens ou adaptações de livros, quadrinhos e games.
    Adaptações de livros para filmes sempre trazem consigo algumas sensações inevitáveis, ao menos para mim. Se primeiro assisto a adaptação e depois leio o livro, durante a leitura, trago sempre ao pensamento a imagem dos atores e dos cenários escolhidos para o filme. Minha leitura fica condicionada àquela realizada pela equipe que lançou a adaptação. A imaginação, assim, perde um pouco seu espaço. Ao contrário, se primeiro leio o livro e depois, geralmente ansiosa, assisto a adaptação, não consigo ver o filme como uma obra independente. Fico procurando as semelhanças e as diferenças entre as histórias.
    No caso deste filme, adaptação do livro homônimo de Marcus Zusak, um dos melhores que li nos últimos tempos, a atuação do elenco encaixou-se perfeitamente no modelo que a minha imaginação tinha criado para os personagens. Liesel Meminger é uma garotinha que, no início da história, é separada de sua mãe e levada para o casal Huberman, durante o governo Nazista na Alemanha. Ela, que inicialmente não sabia ler, acaba transformando a paixão pelas palavras em fonte de vida.
    O mais legal do filme: a relação belíssima de Liesel com seu pai adotivo, Hans Huberman, que desde o início tenta dar à garota pequenas doses de esperança a cada dia.

Trailer

Ficha Técnica
The Book Thief (2013)
Direção: Brian Percival
Elenco: Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson, Nico Liersch, Ben Schnetzer
Duração: 131 minutos

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (The Girl With The Dragon Tattoo)

    Lisbeth Salander é a garota com a tatuagem de dragão do título do filme. Uma jovem andrógina, de ar melancólico e solitário, dona de uma história de vida bastante conturbada, com o corpo coberto de piercings e tatuagens, que está sob tutela do estado desde os 12 anos - o motivo, descobre-se apenas na etapa final do filme. Ela tenta sua independência trabalhando como pesquisadora/hacker de uma empresa de segurança.
    Mikael Blomkvist é um jornalista investigativo dono de uma publicação chamada Millennium. Ele a utiliza para desvendar crimes de corrupção de figuras poderosas do cenário político e econômico da Suécia, país onde se desenrola a história.
    Henrik Vanger, chefe de uma família tradicional que vive em uma ilha do norte gelado do país, contrata a agência em que Lisbeth trabalha para investigar Blomkvist e ela é a responsável por fazer o relatório sobre o jornalista. Henrik tem intenções de contratá-lo para que investigue um crime antigo não solucionado na família: o desaparecimento de Harriet Vanger, sua sobrinha que à época do desaparecimento tinha 16 anos.
    Apenas com uma breve descrição dos personagens, percebe-se o quão rico é este filme. São vários núcleos compondo a história, um mais interessante que o outro. O filme é a 2ª adaptação para o cinema da obra "Män Som Hatar Kvinnor" (Os Homens Que Odeiam As Mulheres), do escritor sueco Stieg Larsson, que faz parte de uma trilogia. Uma adaptação sueca homônima foi lançada dois anos antes, contemplando também os outros dois volumes da trilogia.
    O mais legal do filme: Lisbeth, personagem atípica: uma justiceira contemporânea, nerd e magricela.

Trailer

Ficha Técnica
The Girl With The Dragon Tattoo (2011)
Direção: David Fincher
Elenco: Rooney Mara, Daniel Craig, Christopher Plummer, Stellan Skarsgard
Duração: 157 minutos
    

sábado, 19 de outubro de 2013

Se Beber Não Case! Parte II (The Hangover Part II)

    Pra mim, é difícil enquadrar este filme em algum gênero. Tem um pouco de comédia, mas acho que a intenção é ser um filme de comédia (bem) diferente. Tem um pouco de ação, mas não é ação. E tem drama e tragédia. Ocorre até amputação de dedo. Me diga se isto é um filme de comédia?
    Filmes desse gênero, em que uma sucessão de trapalhadas vão se somando, causando um estrago cada vez maior na vida dos protagonistas, não são novidade. O fato é que nessa franquia as trapalhadas são "barra pesada" e os contraventores da história não são desastrados e engraçados como espera-se de um filme de comédia: eles são reais dentro da ficção. Há a exceção do personagem Chow, que entra para o rol dos bandidos mais bizarros do cinema.
    Novamente vivenciando os preparativos de um casamento, dessa vez de Stu, os personagens que conhecemos na parte 1 vão a Tailândia para a cerimônia. Na noite anterior, resolvem tomar um último drink na praia, para comemorar de forma mais segura e inocente. Depois da pequena reunião, a cena seguinte nos leva a um quartinho imundo de hotel em Bangkok, onde os três acordam: um homem a menos; um macaco, uma tatuagem e um dedo a mais. O desaparecido é o irmão prodígio da noiva, orgulho do pai que odeia Stu. Eles saem, então, à procura do garoto, tentando descobrir o que aconteceu desta vez.
    O mais legal do filme: a canção cantada por Stu, perto do final do filme. É a cena mais engraçada!

Trailer

Ficha Técnica
The Hangover Part II (2011)
Direção: Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Ken Jeong
Duração: 102 minutos

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Jobs

    A realização de um filme biográfico tem um grande poder inerente: o de influenciar a visão de uma audiência enorme de pessoas sobre determinada personalidade. A maneira como o roteiro é construído, o destaque que é dado a determinados fatos em detrimento de outros, a edição, a atuação do elenco, além de inúmeros outros fatores contribuem para a nossa interpretação da vida de pessoas reais que acabam sendo transformadas em personagens de filme. Uma vida resumida em duas horas? Impossível não cair em clichês e descontinuidades.
    Assim é o filme em questão, que conta a vida de Steven Jobs, co-fundador, diretor e visionário da Apple, atualmente uma das empresas de maior importância e reputação na área de tecnologia do mundo. A história começa no fim, com Jobs já velho e debilitado (em função do câncer que o levou ao óbito em 2011), lançando o iPod frente a uma plateia encantada. Depois há um salto ao passado, nos anos 1970, onde vemos Steve na faculdade que já havia largado, cheio de ideias e aspirações e a partir daí a história transcorre.
    O filme enfatiza duas vertentes de Jobs: gênio e cretino. Tinha uma habilidade enorme de criar e estimular a criação, negociar, falar a um coletivo, mas era péssimo nas relações pessoais, dando mais importância às suas criações e projetos do que às pessoas e aos amigos. Seu parceiro na fundação da Apple, Steve Woz, disse que o filme não representa bem a realidade, mas fazendo uma breve pesquisa sobre Jobs, dá pra concluir que como ser humano, ele era um ótimo idealizador de máquinas.
    O mais legal do filme: ver o processo de surgimento da Apple e dos computadores pessoais.

Trailer

Ficha Técnica
Jobs (2013)
Direção: Joshua Michael Stern
Elenco: Ashton Kutcher, Josh Gad, Dermot Mulroney, Lukas Haas, Matthew Modine, J. K. Simmons
Duração: 127 minutos

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Toda Forma de Amor (Beginners)

     Este belo filme conta a história de Oliver, um artista gráfico solitário que acaba de perder o pai, Hal, vitimado por um câncer. Quatro anos antes de morrer e logo após ficar viúvo, Hal revelou ao filho que era homossexual. A morte da mãe, essa revelação e o posterior adoecimento do pai, levam Oliver a refletir sobre relacionamentos, escolhas, amor, tristeza, sobre a vida de forma geral. Constantemente somos reportados à convivência com seu pai e seu namorado mais novo, após a descoberta da doença, e à sua infância, momentos em que, junto com o personagem, fazemos análises do cotidiano de seus pais e de como a relação deles influenciou a sua forma de enxergar a vida e as pessoas.
    Imerso na tristeza provocada por todos estes acontecimentos, que acabam afetando seu processo criativo de uma forma bastante interessante, nada nem ninguém são capazes de animá-lo. Até que conhece Anna, uma moça inicialmente misteriosa, que compreende seus dramas instantaneamente. Os dois acabam iniciando um relacionamento que parece fazê-los perceber que, independentemente da idade que se tem, das experiências que se teve ou do que a vida ensinou, quando se trata de relacionar-se com as pessoas, todos são iniciantes (como diz o título original do filme) descobrindo novas formas de ser e fazer.
    O filme tem um jogo temporal bem construído: momentos diferentes da vida de Oliver vem à tona a cada momento para nos ajudar a compreender sua história. Ele mesmo faz análises sensíveis sobre a passagem do tempo na sociedade e na vida das pessoas.
    O mais legal do filme: os personagens, incluindo o cachorro, são um melhor que o outro.

Trailer

Ficha Técnica
Beginners (2010)
Direção: Mike Mills
Elenco: Ewan McGregor, Cristopher Plummer, Mélanie Laurent, Goran Visnjic
Principais premiações: Ator Coadjuvante para Cristopher Plummer (Oscar)
Duração: 105 minutos

domingo, 15 de setembro de 2013

Se Beber, Não Case! (The Hangover)

    Um belo filme em homenagem à Lei de Murphy: tudo que poderia dar errado numa despedida de solteiro em Las Vegas, da pior forma possível.
    Um quarteto composto por um bonitão irresponsável, um "nerd" dominado pela mulher, o noivo e o irmão biruta da noiva, vai a Las Vegas para uma despedida de solteiro inesquecível. Mas o evento acaba se tornando uma sucessão de mancadas que tem como consequência o desaparecimento do noivo. Os três padrinhos acordam no quarto luxuoso do hotel que haviam alugado, após a noite de festa que não é mostrada, e deparam-se com várias coisas fora do lugar, um bebê e um tigre estão a lhes fazer companhia e o noivo está sumido. Eles então começam uma busca pelo amigo e por respostas para as bizarrices que vão encontrando pelo caminho.
    A história do filme é muito boa. Ela tem o mérito de despertar a nossa curiosidade quanto aos fatos estranhíssimos que vão acontecendo e somando-se no decorrer da trama. Algumas respostas, porém, são menos criativas do que poderiam ser, como a história do tigre. Posso usar este filme como exemplo para falar sobre o quanto as expectativas que criamos sobre um filme (ou qualquer coisa na vida) quando ouvimos a respeito dele podem tornar-se inatingíveis, dependendo de como as informações chegam até nós. Falaram-me tão bem a respeito, que acabei me decepcionando um pouco. O filme é bom, mas eu esperava rir bem mais.
    O mais legal do filme: a resolução do caso do desaparecimento do noivo. E a cena do "porta-malas surpresa"!

Trailer

Ficha Técnica
The Hangover (2009)
Direção: Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zack Galifianakis, Justin Bartha, Heather Graham
Duração: 90 minutos 

sábado, 17 de agosto de 2013

Crash - No Limite (Crash)

Esta resenha foi escrita por Manoela Strait, minha querida aluna de 8ª série, para um trabalho em nossa aula de Sociologia.

    O filme "Crash - No Limite: Até que Ponto Você se Conhece?" é um drama que se passa em Los Angeles, Estados Unidos, e a história dura 36 horas. Tem como tema principal o preconceito e as nossas diferenças. Ele aborda esses assuntos usando fatos que ocorrem no nosso dia a dia. Mostra como a sociedade é hoje diante do diferente e as consequências que isso traz para a nossa vida. De forma clara, o filme consegue demonstrar como nossos pensamentos em relação ao outro podem estar errados e como isso se torna prejudicial à sociedade.
    Em uma das histórias, um casal é parado em uma blitz, e quando um dos policiais vai revistar a mulher, ele também abusa dela. O outro policial, parceiro deste, não concorda com a situação e o policial que abusou dela, passa o filme sendo visto como o vilão. Mas no outro dia, a mulher sofre um acidente e o policial, que havia abusado dela, lhe salva a vida. Já aquele que reprovou o colega no outro dia, acaba cometendo um ato racista. Ou seja, o mocinho vira vilão, e vice-versa.
    Na minha opinião, o filme deve ser assistido, pois ele demonstra o conjunto de preconceitos presentes na sociedade. E como esse fato está presente em ações do nosso cotidiano. Ele passa a mensagem de que os padrões que nós impomos na nossa cabeça é uma realidade diferente daquela que é apresentada pela sociedade.

Trailer

Ficha Técnica
Crash (2004)
Direção: Paul Haggis
Elenco: Don Cheadle, Sandra Bullock, Matt Dillon, Brendan Fraser, Ryan Phillippe, Thandie Newton, Ludacris
Duração: 112 minutos
Principais premiações: Filme (Oscar), Roteiro Original (Oscar, Bafta), Atriz Coadjuvante para Thandie Newton (Bafta), Edição (Oscar).

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Traffic

    Este filme tem uma característica que eu aprecio muito: várias histórias, que de alguma forma se cruzam, são apresentadas aos poucos a quem assiste. Isso geralmente dá a ideia de que a história de alguém sempre está ligada a diversas outras, de que nada é completamente independente, e de que o universo, a sociedade, a realidade, ou seja lá como denominemos esse lugar e tempo onde vivemos a cada dia, é um todo do qual fazemos parte.
    Neste filme o elo de ligação entre as histórias é o tráfico de drogas realizado entre México e Estados Unidos. Os personagens principais não chegam a se conhecer, mas suas histórias preenchem um ciclo de venda-consumo-combate de substâncias ilícitas.
    São basicamente 3 histórias que ocorrem paralelamente. A primeira é a de Javier Rodriguez, um policial que trabalha na fronteira entre os 2 países e tenta como pode sobreviver aos jogos corruptos que mantém próximos crime e lei. A outra é a de Robert Wakefield, um magistrado recém nomeado para o cargo de chefe da política de combate às drogas dos E.U.A., que não percebe que sua filha é viciada nessas substâncias. Ainda há Helena Ayala, esposa de um líder do tráfico, que pensa ser casada com um empresário honesto bem sucedido. Quem não aparece mesmo é o traficante vendedor, de classe baixa, que vive na linha de fogo. Essa discussão social aparece em apenas uma fala do policial Javier, mas acaba tendo uma certa importância no fechamento da história.
    O mais legal do filme: há uma concepção de fotografia diferente para cada um dos três personagens, o que lhe confere uma riqueza estética maior, além de corroborar com o contexto de cada história.
 
Trailer

Ficha Técnica
Traffic (2000)
Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Michael Douglas, Benicio del Tor, Catherine Zeta-Jones, Don Cheadle, Dennis Quaid, Erika Christensen
Duração: 147 minutos
Principais premiações: Direção (Oscar), Ator Coadjuvante para Benicio Del Toro (Oscar, Bafta, Globo de Ouro e Festival de Berlim), Roteiro e Roteiro adaptado (Oscar, Bafta e Globo de Ouro).
    

terça-feira, 9 de julho de 2013

Antes da Meia-Noite (Before Midnight)

    Jesse e Celine se encontraram pela primeira vez em 1995, em "Antes do Amanhecer", quando tinham 20 e poucos anos, em um trem europeu. Ela, francesa, ele, estado-unidense. Passaram juntos um dia apaixonante em Viena, apaixonando-se. Nove anos depois encontraram-se novamente em Paris, em uma livraria. Jesse estava na Europa divulgando seu livro sobre a história de duas pessoas que se encontram e passam um dia memorável juntas. Agora com 30 e poucos anos e com as responsabilidades que essa idade geralmente traz, também chamadas de carreira e filhos, eles têm algumas horas "Antes do Pôr do Sol" para conversar sobre a vida, sobre o que aconteceu com as suas vidas nesse meio tempo e sobre o que farão com elas.
    Em "Antes da Meia-Noite" acompanhamos mais um dia na vida de Jesse e Celine. Mais nove anos se passaram e nos primeiros 10 minutos de filme descobrimos que desta vez os dois viveram este período de tempo juntos. Vivem em Paris e têm filhas gêmeas. Celine está em dúvida quanto a aceitar um emprego no governo, debatendo-se com seus valores e com seu histórico profissional. Jesse está ressentido por não conviver com seu filho pré-adolescente que mora em Chicago com sua ex-mulher, com a qual ele tem uma péssima relação. Sua crises pessoais são um degrau para uma crise no relacionamento.
   O terceiro filme desta magnífica trilogia sobre a vida mantém a delicadeza, a sagacidade dos diálogos e o cenário extremamente belo. O que ele traz de diferente é a realidade de um relacionamento maduro entre duas pessoas na faixa dos 40 anos, que implica em questionamentos e problemas cotidianos a serem resolvidos. Os personagens, muito bem construídos, sedutores e inteligentes, conduzem esse processo de uma forma verdadeira e apaixonada, com toda a dor, o amor e a comédia que uma relação conjugal pode comportar. Cenário melhor não poderia existir: a Grécia, berço de todo o drama da civilização ocidental! E tudo termina num piscar de olhos, mas faz o coração piscar por dias e dias...
    O mais legal do filme: é a minha trilogia preferida! Por isso mereceu mais dos que 20 linhas, ainda que não tão bem escritas como o filme merecia.

Trailer

Ficha Técnica
Before Midnight (2013)
Direção: Richard Linklater
Elenco: Julie Delpy, Ethan Hawke
Duração: 108 minutos