quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Menina Que Roubava Livros (The Book Thief)

    Este é mais um filme, entre os outros tantos lançamentos do cinema, que traz a adaptação de uma obra literária para a sétima arte. Sobre este assunto, há uma série de quatro vídeos chamada "Everything is a Remix", lançada há poucos anos por Kirby Ferguson. Segundo ele, dos dez filmes que mais arrecadaram em cada um dos últimos dez anos, 74 de 100 são sequências, refilmagens ou adaptações de livros, quadrinhos e games.
    Adaptações de livros para filmes sempre trazem consigo algumas sensações inevitáveis, ao menos para mim. Se primeiro assisto a adaptação e depois leio o livro, durante a leitura, trago sempre ao pensamento a imagem dos atores e dos cenários escolhidos para o filme. Minha leitura fica condicionada àquela realizada pela equipe que lançou a adaptação. A imaginação, assim, perde um pouco seu espaço. Ao contrário, se primeiro leio o livro e depois, geralmente ansiosa, assisto a adaptação, não consigo ver o filme como uma obra independente. Fico procurando as semelhanças e as diferenças entre as histórias.
    No caso deste filme, adaptação do livro homônimo de Marcus Zusak, um dos melhores que li nos últimos tempos, a atuação do elenco encaixou-se perfeitamente no modelo que a minha imaginação tinha criado para os personagens. Liesel Meminger é uma garotinha que, no início da história, é separada de sua mãe e levada para o casal Huberman, durante o governo Nazista na Alemanha. Ela, que inicialmente não sabia ler, acaba transformando a paixão pelas palavras em fonte de vida.
    O mais legal do filme: a relação belíssima de Liesel com seu pai adotivo, Hans Huberman, que desde o início tenta dar à garota pequenas doses de esperança a cada dia.

Trailer

Ficha Técnica
The Book Thief (2013)
Direção: Brian Percival
Elenco: Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson, Nico Liersch, Ben Schnetzer
Duração: 131 minutos

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Millennium III: A Rainha do Castelo de Ar (Luftslottet Som Sprängdes)

    O título do último filme da trilogia Millennium, como é bastante comum, foi traduzido para o português sem fidelidade ao título original. A tradução literal para ele seria "O Castelo de Ar que Explodiu". A frase claramente faz referência ao esquema mantido por um grupo dentro do governo, do qual Lisbeth Salander foi vítima desde a infância, que é desvendado graças à ajuda dos amigos que ela parece não acreditar que tem. O castelo de ar construído durante décadas finalmente explode, libertando sua principal prisioneira.
    Após o confronto ocorrido no final do segundo filme, Lisbeth e Alexander Zalachenko, seu pai, estão internados no mesmo hospital, em recuperação. Lisbeth está sendo acusada pela tentativa de assassinato de seu pai, e Zala está na mira da organização da qual participa, pois tem muitas informações que não podem vir à tona. Enquanto isso, Mikael Blomkvist e a equipe da Millennium tentam descobrir todos os nomes desse grupo secreto para denunciá-los à sociedade e salvar Lisbeth da cadeia e da tutela do estado. 
    A trilogia Millennium, para além de sua grande qualidade enquanto entretenimento, tem como mérito provocar algumas reflexões acerca de uma sociedade a qual, mesmo não conhecendo muito, tomamos como exemplo de civilidade, retidão e idoneidade política. O autor da trilogia foi um jornalista que dedicou a vida a fazer denúncias sobre a administração de seu país, e certamente não foi à toa que decidiu escrever uma história sobre personagens corruptos e cruéis escondidos sob a imagem do governo de uma nação acima de qualquer suspeita.
    O mais legal do filme: a própria investigação, que cativa a atenção do início ao fim.

Trailer

Ficha Técnica
Luftslottet Som Sprängdes (2009)
Direção: Daniel Alfredson
Elenco: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre, Annika Hallin, Anders Ahlbom, Sofia Ledarp, Jacob Ericksson
Duração: 141 minutos

domingo, 29 de dezembro de 2013

Millennium II: A Menina Que Brincava Com Fogo (Flickan Som Lekte Med Elden)

    Stieg Larsson, autor da trilogia Millennium, foi um jornalista sueco militante dos direitos humanos que escrevia sobre o fascismo e a extrema direita presentes na política de seu país. Aos quinze anos, presenciou um estupro coletivo de uma garota a qual ele não ajudou. Trinta anos depois, sua trilogia literária foi lançada, postumamente. Os dois personagens principais: uma garota aparentemente frágil que sofre abusos de homens, e instituições controladas por eles, mas que usa sua inteligência e habilidade para se vingar, e um jornalista que utiliza seu veículo de comunicação para denunciar o lado podre do cenário político sueco.
    Claramente, Larsson utilizou a literatura para denunciar, uma vez mais, a corrupção em seu país e a violência praticada contra as mulheres nas mais variadas instâncias da sociedade. Mikael Blomkvist, o jornalista da história, pode ser visto como um lado autobiográfico de Larsson. Já Lisbeth Salander, a personagem central da história, pode ser interpretada como uma forma do autor expiar sua culpa e exprimir seus sentimentos sobre o estupro ocorrido décadas atrás: Lisbeth sofre, mas pune seus agressores e tenta se vingar dos homens que odeiam as mulheres.
    Neste segundo filme da trilogia, a revista Millennium está investigando as organizações por trás do tráfico de mulheres do Leste Europeu, obrigadas a prostituirem-se na Suécia. Mas a investigação é interrompida quando ocorrem três assassinatos cuja principal suspeita é Lisbeth, que ficou um ano sem dar notícias após o final do primeiro filme.
    O mais legal do filme: A cena dos motoqueiros. Acho que toda mulher gostaria de ser Lisbeth naquele momento.

Trailer

Ficha Técnica
Flickan Som Lekte Med Elden (2009)
Direção: Daniel Alfredson
Elenco: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre, Yasmine Garbi, Micke Spreitz, Johan Klyén
Duração: 124 minutos

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (The Girl With The Dragon Tattoo)

    Lisbeth Salander é a garota com a tatuagem de dragão do título do filme. Uma jovem andrógina, de ar melancólico e solitário, dona de uma história de vida bastante conturbada, com o corpo coberto de piercings e tatuagens, que está sob tutela do estado desde os 12 anos - o motivo, descobre-se apenas na etapa final do filme. Ela tenta sua independência trabalhando como pesquisadora/hacker de uma empresa de segurança.
    Mikael Blomkvist é um jornalista investigativo dono de uma publicação chamada Millennium. Ele a utiliza para desvendar crimes de corrupção de figuras poderosas do cenário político e econômico da Suécia, país onde se desenrola a história.
    Henrik Vanger, chefe de uma família tradicional que vive em uma ilha do norte gelado do país, contrata a agência em que Lisbeth trabalha para investigar Blomkvist e ela é a responsável por fazer o relatório sobre o jornalista. Henrik tem intenções de contratá-lo para que investigue um crime antigo não solucionado na família: o desaparecimento de Harriet Vanger, sua sobrinha que à época do desaparecimento tinha 16 anos.
    Apenas com uma breve descrição dos personagens, percebe-se o quão rico é este filme. São vários núcleos compondo a história, um mais interessante que o outro. O filme é a 2ª adaptação para o cinema da obra "Män Som Hatar Kvinnor" (Os Homens Que Odeiam As Mulheres), do escritor sueco Stieg Larsson, que faz parte de uma trilogia. Uma adaptação sueca homônima foi lançada dois anos antes, contemplando também os outros dois volumes da trilogia.
    O mais legal do filme: Lisbeth, personagem atípica: uma justiceira contemporânea, nerd e magricela.

Trailer

Ficha Técnica
The Girl With The Dragon Tattoo (2011)
Direção: David Fincher
Elenco: Rooney Mara, Daniel Craig, Christopher Plummer, Stellan Skarsgard
Duração: 157 minutos
    

domingo, 22 de dezembro de 2013

Anticristo (Antichrist)

    Um filme de cenas perturbadoras e polêmicas, como é de costume na obra de Lars Von Trier, que provocam angústia, medo, dor, fascinação. É aquele tipo de obra que, quando termina, te deixa pensando, tentando interpretar os diálogos, os sentimentos dos personagens e o fechamento da história. E que depois, ao trocar impressões sobre ele com algum amigo, há a percepção de que existem muitas visões diferentes sobre o filme, pois ele tem a característica de estar aberto a essas inúmeras possibilidades de entendimento.
    A história: um casal -sem nome- perdeu seu filho pequeno num (talvez) acidente doméstico. A mulher entra em um estado de depressão profunda. O homem, terapeuta, decide submetê-la a uma cura terapêutica e a leva para uma cabana isolada no meio de uma floresta densa e escura. Ao desenvolver esse tratamento, o homem também inicia uma pesquisa sobre os sentimentos de sua mulher; enquanto isso, ela vai revelando toda a complexidade de sua culpa, dor e de seu desejo sexual.
    Essa história, aparentemente, poderia ser lida como um clichê do cinema: casal perde o filho e tenta lidar com isso. Mas a maneira como é contada faz toda a diferença para a reação das pessoas em relação ao filme: muitos acharam genial, muitos, repugnante. Acho bastante interessante a maneira como o "verdadeiro" tema do filme vai se revelando aos poucos. E acho ainda que o mergulho na mente de um personagem perturbado não pode mesmo ser indolor e fácil. É da escolha do espectador decidir mergulhar ou não.
    O mais legal do filme: o prólogo, de fotografia belíssima em P&B, que conta a história da morte do filho, com trilha sonora de uma ópera de Handel.

Trailer

Ficha técnica
Antichrist (2009)
Direção: Lars Von Trier
Elenco: Charlotte Gainsbourg, Willem Dafoe
Duração: 104 minutos
  


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Serra Pelada

    Uma parte importante da história recente do Brasil é o mote para o filme "Serra Pelada". O maior garimpo a céu aberto do mundo, que dá nome ao filme, causou, no início dos anos 1980, uma corrida ao ouro perpetrada por milhares de garimpeiros vindos de todas as partes do Brasil. O filme recria com louvor o cenário desolador, caótico e inóspito de um garimpo, muitas vezes misturando imagens reais àquelas fictícias.
    Na história conhecemos Joaquim e Juliano, amigos de infância que, após conhecerem o promissor garimpo de Serra Pelada através dos noticiários, partem para o estado do Pará em busca de ouro para melhorar de vida, assim como tantos outros que encontram por lá. Os dois amigos têm personalidades bastante diferentes, e isso lhes trará, no decorrer da história, alguns problemas definitivos para o desfecho de suas trajetórias. Eles iniciam cavando e contratando alguns homens para o seu barranco. Logo no início arranjam problemas: Serra Pelada é uma terra sem lei, onde manda quem tem dinheiro e armas. O sistema corrompe e "piora a gente".
    Algumas imagens do garimpo, uma montanha que se transformou num grande buraco, como é dito por Joaquim, o narrador da história, são realmente impressionantes. O formigueiro constituído por homens, suor, terra, prostíbulos, ganância e tiros causa angústia e insegurança. O roteiro é bom, ágil, e consegue prender a atenção. Há personagens incríveis, como Lindo Rico, um tipo asqueroso, bandido metido a esperto e que está sempre mastigando alguma coisa.
    O mais legal do filme: a recriação de Serra Pelada, baseada em pesquisas históricas, realizada em três diferentes cidades dos estados de São Paulo e Pará.

Trailer

Ficha Técnica
Serra Pelada (2013)
Direção: Heitor Dhalia
Elenco: Júlio Andrade, Juliano Cazarré, Sophie Charlotte, Wagner Moura, Matheus Nachtergaele
Duração: 100 minutos

sábado, 19 de outubro de 2013

Se Beber Não Case! Parte II (The Hangover Part II)

    Pra mim, é difícil enquadrar este filme em algum gênero. Tem um pouco de comédia, mas acho que a intenção é ser um filme de comédia (bem) diferente. Tem um pouco de ação, mas não é ação. E tem drama e tragédia. Ocorre até amputação de dedo. Me diga se isto é um filme de comédia?
    Filmes desse gênero, em que uma sucessão de trapalhadas vão se somando, causando um estrago cada vez maior na vida dos protagonistas, não são novidade. O fato é que nessa franquia as trapalhadas são "barra pesada" e os contraventores da história não são desastrados e engraçados como espera-se de um filme de comédia: eles são reais dentro da ficção. Há a exceção do personagem Chow, que entra para o rol dos bandidos mais bizarros do cinema.
    Novamente vivenciando os preparativos de um casamento, dessa vez de Stu, os personagens que conhecemos na parte 1 vão a Tailândia para a cerimônia. Na noite anterior, resolvem tomar um último drink na praia, para comemorar de forma mais segura e inocente. Depois da pequena reunião, a cena seguinte nos leva a um quartinho imundo de hotel em Bangkok, onde os três acordam: um homem a menos; um macaco, uma tatuagem e um dedo a mais. O desaparecido é o irmão prodígio da noiva, orgulho do pai que odeia Stu. Eles saem, então, à procura do garoto, tentando descobrir o que aconteceu desta vez.
    O mais legal do filme: a canção cantada por Stu, perto do final do filme. É a cena mais engraçada!

Trailer

Ficha Técnica
The Hangover Part II (2011)
Direção: Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Ken Jeong
Duração: 102 minutos

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Jobs

    A realização de um filme biográfico tem um grande poder inerente: o de influenciar a visão de uma audiência enorme de pessoas sobre determinada personalidade. A maneira como o roteiro é construído, o destaque que é dado a determinados fatos em detrimento de outros, a edição, a atuação do elenco, além de inúmeros outros fatores contribuem para a nossa interpretação da vida de pessoas reais que acabam sendo transformadas em personagens de filme. Uma vida resumida em duas horas? Impossível não cair em clichês e descontinuidades.
    Assim é o filme em questão, que conta a vida de Steven Jobs, co-fundador, diretor e visionário da Apple, atualmente uma das empresas de maior importância e reputação na área de tecnologia do mundo. A história começa no fim, com Jobs já velho e debilitado (em função do câncer que o levou ao óbito em 2011), lançando o iPod frente a uma plateia encantada. Depois há um salto ao passado, nos anos 1970, onde vemos Steve na faculdade que já havia largado, cheio de ideias e aspirações e a partir daí a história transcorre.
    O filme enfatiza duas vertentes de Jobs: gênio e cretino. Tinha uma habilidade enorme de criar e estimular a criação, negociar, falar a um coletivo, mas era péssimo nas relações pessoais, dando mais importância às suas criações e projetos do que às pessoas e aos amigos. Seu parceiro na fundação da Apple, Steve Woz, disse que o filme não representa bem a realidade, mas fazendo uma breve pesquisa sobre Jobs, dá pra concluir que como ser humano, ele era um ótimo idealizador de máquinas.
    O mais legal do filme: ver o processo de surgimento da Apple e dos computadores pessoais.

Trailer

Ficha Técnica
Jobs (2013)
Direção: Joshua Michael Stern
Elenco: Ashton Kutcher, Josh Gad, Dermot Mulroney, Lukas Haas, Matthew Modine, J. K. Simmons
Duração: 127 minutos