terça-feira, 18 de março de 2014

O Homem Que Fazia Chover (The Rainmaker)


       Dirigido por Francis Ford Coppola e estrelado por um grande elenco, este ótimo filme tem os tribunais como cenário. Aqui conhecemos o jovem e recém formado (e carismático) advogado Rudy Baylor, que no início da trama se vê obrigado financeiramente a trabalhar em um escritório mercenário, de advogados que ficam à espreita nos hospitais, aliciando pacientes, clientes em potencial. Rudy, porém, é um rapaz idealista, que pretende ajudar as pessoas com sua profissão. 
    No momento de sua contratação, ele já tem dois clientes: Miss Birdie, uma idosa solitária, que pretende ajustar os beneficiários de seu testamento de uma forma bastante peculiar; e os Black, uma família bastante problemática em processo contra o seu plano de saúde, já reconhecido por sua renomada equipe de advogados que ganham todas as causas levadas à justiça. O processo ocorreu em função das inúmeras negativas de cobertura do transplante de medula que Donny Ray Black, o filho do casal, necessitava, em função de sua leucemia, já em estágio avançado. Quando está no hospital procurando clientes e estudando o caso de Donny ray, Rudy conhece Kelly Riker, uma mulher que é espancada constantemente pelo marido.
    O mais legal do filme: Traz a tona duas discussões bastante salientes atualmente, quais sejam, o ideal de justiça de certos profissionais ligados ao direito em oposição ao exercício da profissão de forma puramente econômica e, muitas vezes, corrupta, e as imensas falhas estruturais nos planos de saúde, que oferecem uma série de empecilhos para dar cobertura médica quando os usuários mais precisam, sempre tendo como prioridade a economia de verba, em detrimento da saúde das pessoas.

Trailer

Ficha Técnica
The Rainmaker (1997)
Direção: Francis Ford Coppola
Elenco: Matt Damon, Jon Voight, Danny DeVito, Claire Danes, Danny Glover, Virgina Madsen
Duração: 135 minutos
    

domingo, 16 de março de 2014

Miss Representation

    Miss Representation é um documentário dirigido por Jennifer Siebel, uma atriz e, a partir deste, diretora dos Estados Unidos. O título do filme, sem tradução oficial em português, é um trocadilho com a palavra "miss": ela significa falta de alguma coisa (neste caso, falta de representação), mas também é a alcunha das vencedoras dos repetitivos concursos de beleza que ocorrem mundialmente. Jennifer justifica a realização do documentário com o nascimento de sua primeira filha, Montana. Ela diz que, a partir disto, começou realmente a refletir sobre as armadilhas sexistas em que ela própria havia caído, como mulher e como atriz.
    O documentário mostra o grande poder da mídia para a construção das identidades de meninos e meninas, apesar de o foco estar na imagem destas últimas. A situação analisada refere-se aos E.U.A., mas pode facilmente ser estendida a outros países, incluindo o Brasil, que copia da América do Norte a maioria de sua produção midiática. Para essa análise, faz uso de estatísticas, entrevistas com figuras políticas, atrizes, diretoras e roteiristas e estudantes do Ensino Médio, e ainda apresenta imagens veiculadas pela Indústria Cultural, o que inclui publicidade, filmes, games, noticiários, etc.
    Logo no início recebemos a informação de que os jovens passam em média 11 horas por dia conectados a algum tipo de mídia, incluindo mídia impressa, televisiva e virtual. Como negar o poder de influência da mídia na construção de nossa sociedade, se os futuros adultos passam mais tempo com a mídia do que em qualquer outro espaço?
    O mais legal do filme: ao final são sugeridas diversas ações que cada um pode ter para modificar esse cenário injusto e nocivo.

Trailer
Filme completo legendado

Ficha Técnica
Miss Representation (2011)
Direção: Jennifer Siebel Newson
Entrevistas: Jane Fonda (atriz), Geena Davis (atriz), Condoleezza Rice (Secretária de Estado), Katie Couric (âncora de telejornal), etc.
Duração: 86 minutos
  

domingo, 23 de fevereiro de 2014

12 Anos De Escravidão (12 Years A Slave)

    Solomon Northup é um violinista casado, pai de um casal de filhos, residente de Nova York, E.U.A, vivendo o ano de 1841. É negro em um país onde a escravidão de afro-americanos não é apenas legítima, como amplamente difundida nos estados do Sul, mas livre, sustentando-se como músico animador de bailes da elite da sociedade local.
    Certo dia, dois homens lhe são apresentados. Estes lhe oferecem um trabalho temporário como músico em um espetáculo que estavam a promover em Washington. Solomon aceita o convite e é levado até a cidade. O golpe praticado pela dupla é revelado quando o violinista acorda acorrentado em um cativeiro. Dali, juntamente com outras cinco pessoas, é levado para um navio rumo a um mercado de escravos na Louisiana.
    Baseado em uma história real, contada em livro autobiográfico homônimo lançado em 1853, o filme tem uma das cenas mais angustiantes a que já assisti. O desconforto dos espectadores no cinema, não apenas nesta cena, como em todas as outras que revelam o sadismo e a perversidade de um sistema que, incrivelmente, sustentou-se durante tanto tempo, defendido por tantas pessoas, é facilmente perceptível. Como não sair do cinema perturbado após ter os sentidos inundados pelas atrocidades que criaturas de nossa mesma espécie foram capazes de cometer?
    Atuações extraordinárias e uma trilha sonora intensa contam uma história que todos devem conhecer.
    O mais legal do filme: Há uma cena belíssima e, ao mesmo tempo, extremamente dolorosa: um grupo de escravos canta "Roll Jordan Roll", canção negro spiritual.

Trailer

Ficha Técnica
12 Years A Slave (2013)
Direção: Steve McQueen
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Lupita Nyong'o, Paul Dano, Brad Pitt, Sarah Paulson, Benedict Cumberbatch
Principais premiações: Filme e Filme Drama (Oscar, BAFTA e Globo de Ouro), Ator para Chiwetel Ejiofor (BAFTA), Atriz Coadjuvante para Lupita Nyong'o (Oscar)
Duração: 133 minutos

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Menina Que Roubava Livros (The Book Thief)

    Este é mais um filme, entre os outros tantos lançamentos do cinema, que traz a adaptação de uma obra literária para a sétima arte. Sobre este assunto, há uma série de quatro vídeos chamada "Everything is a Remix", lançada há poucos anos por Kirby Ferguson. Segundo ele, dos dez filmes que mais arrecadaram em cada um dos últimos dez anos, 74 de 100 são sequências, refilmagens ou adaptações de livros, quadrinhos e games.
    Adaptações de livros para filmes sempre trazem consigo algumas sensações inevitáveis, ao menos para mim. Se primeiro assisto a adaptação e depois leio o livro, durante a leitura, trago sempre ao pensamento a imagem dos atores e dos cenários escolhidos para o filme. Minha leitura fica condicionada àquela realizada pela equipe que lançou a adaptação. A imaginação, assim, perde um pouco seu espaço. Ao contrário, se primeiro leio o livro e depois, geralmente ansiosa, assisto a adaptação, não consigo ver o filme como uma obra independente. Fico procurando as semelhanças e as diferenças entre as histórias.
    No caso deste filme, adaptação do livro homônimo de Marcus Zusak, um dos melhores que li nos últimos tempos, a atuação do elenco encaixou-se perfeitamente no modelo que a minha imaginação tinha criado para os personagens. Liesel Meminger é uma garotinha que, no início da história, é separada de sua mãe e levada para o casal Huberman, durante o governo Nazista na Alemanha. Ela, que inicialmente não sabia ler, acaba transformando a paixão pelas palavras em fonte de vida.
    O mais legal do filme: a relação belíssima de Liesel com seu pai adotivo, Hans Huberman, que desde o início tenta dar à garota pequenas doses de esperança a cada dia.

Trailer

Ficha Técnica
The Book Thief (2013)
Direção: Brian Percival
Elenco: Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson, Nico Liersch, Ben Schnetzer
Duração: 131 minutos

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Millennium III: A Rainha do Castelo de Ar (Luftslottet Som Sprängdes)

    O título do último filme da trilogia Millennium, como é bastante comum, foi traduzido para o português sem fidelidade ao título original. A tradução literal para ele seria "O Castelo de Ar que Explodiu". A frase claramente faz referência ao esquema mantido por um grupo dentro do governo, do qual Lisbeth Salander foi vítima desde a infância, que é desvendado graças à ajuda dos amigos que ela parece não acreditar que tem. O castelo de ar construído durante décadas finalmente explode, libertando sua principal prisioneira.
    Após o confronto ocorrido no final do segundo filme, Lisbeth e Alexander Zalachenko, seu pai, estão internados no mesmo hospital, em recuperação. Lisbeth está sendo acusada pela tentativa de assassinato de seu pai, e Zala está na mira da organização da qual participa, pois tem muitas informações que não podem vir à tona. Enquanto isso, Mikael Blomkvist e a equipe da Millennium tentam descobrir todos os nomes desse grupo secreto para denunciá-los à sociedade e salvar Lisbeth da cadeia e da tutela do estado. 
    A trilogia Millennium, para além de sua grande qualidade enquanto entretenimento, tem como mérito provocar algumas reflexões acerca de uma sociedade a qual, mesmo não conhecendo muito, tomamos como exemplo de civilidade, retidão e idoneidade política. O autor da trilogia foi um jornalista que dedicou a vida a fazer denúncias sobre a administração de seu país, e certamente não foi à toa que decidiu escrever uma história sobre personagens corruptos e cruéis escondidos sob a imagem do governo de uma nação acima de qualquer suspeita.
    O mais legal do filme: a própria investigação, que cativa a atenção do início ao fim.

Trailer

Ficha Técnica
Luftslottet Som Sprängdes (2009)
Direção: Daniel Alfredson
Elenco: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre, Annika Hallin, Anders Ahlbom, Sofia Ledarp, Jacob Ericksson
Duração: 141 minutos

domingo, 29 de dezembro de 2013

Millennium II: A Menina Que Brincava Com Fogo (Flickan Som Lekte Med Elden)

    Stieg Larsson, autor da trilogia Millennium, foi um jornalista sueco militante dos direitos humanos que escrevia sobre o fascismo e a extrema direita presentes na política de seu país. Aos quinze anos, presenciou um estupro coletivo de uma garota a qual ele não ajudou. Trinta anos depois, sua trilogia literária foi lançada, postumamente. Os dois personagens principais: uma garota aparentemente frágil que sofre abusos de homens, e instituições controladas por eles, mas que usa sua inteligência e habilidade para se vingar, e um jornalista que utiliza seu veículo de comunicação para denunciar o lado podre do cenário político sueco.
    Claramente, Larsson utilizou a literatura para denunciar, uma vez mais, a corrupção em seu país e a violência praticada contra as mulheres nas mais variadas instâncias da sociedade. Mikael Blomkvist, o jornalista da história, pode ser visto como um lado autobiográfico de Larsson. Já Lisbeth Salander, a personagem central da história, pode ser interpretada como uma forma do autor expiar sua culpa e exprimir seus sentimentos sobre o estupro ocorrido décadas atrás: Lisbeth sofre, mas pune seus agressores e tenta se vingar dos homens que odeiam as mulheres.
    Neste segundo filme da trilogia, a revista Millennium está investigando as organizações por trás do tráfico de mulheres do Leste Europeu, obrigadas a prostituirem-se na Suécia. Mas a investigação é interrompida quando ocorrem três assassinatos cuja principal suspeita é Lisbeth, que ficou um ano sem dar notícias após o final do primeiro filme.
    O mais legal do filme: A cena dos motoqueiros. Acho que toda mulher gostaria de ser Lisbeth naquele momento.

Trailer

Ficha Técnica
Flickan Som Lekte Med Elden (2009)
Direção: Daniel Alfredson
Elenco: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre, Yasmine Garbi, Micke Spreitz, Johan Klyén
Duração: 124 minutos

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (The Girl With The Dragon Tattoo)

    Lisbeth Salander é a garota com a tatuagem de dragão do título do filme. Uma jovem andrógina, de ar melancólico e solitário, dona de uma história de vida bastante conturbada, com o corpo coberto de piercings e tatuagens, que está sob tutela do estado desde os 12 anos - o motivo, descobre-se apenas na etapa final do filme. Ela tenta sua independência trabalhando como pesquisadora/hacker de uma empresa de segurança.
    Mikael Blomkvist é um jornalista investigativo dono de uma publicação chamada Millennium. Ele a utiliza para desvendar crimes de corrupção de figuras poderosas do cenário político e econômico da Suécia, país onde se desenrola a história.
    Henrik Vanger, chefe de uma família tradicional que vive em uma ilha do norte gelado do país, contrata a agência em que Lisbeth trabalha para investigar Blomkvist e ela é a responsável por fazer o relatório sobre o jornalista. Henrik tem intenções de contratá-lo para que investigue um crime antigo não solucionado na família: o desaparecimento de Harriet Vanger, sua sobrinha que à época do desaparecimento tinha 16 anos.
    Apenas com uma breve descrição dos personagens, percebe-se o quão rico é este filme. São vários núcleos compondo a história, um mais interessante que o outro. O filme é a 2ª adaptação para o cinema da obra "Män Som Hatar Kvinnor" (Os Homens Que Odeiam As Mulheres), do escritor sueco Stieg Larsson, que faz parte de uma trilogia. Uma adaptação sueca homônima foi lançada dois anos antes, contemplando também os outros dois volumes da trilogia.
    O mais legal do filme: Lisbeth, personagem atípica: uma justiceira contemporânea, nerd e magricela.

Trailer

Ficha Técnica
The Girl With The Dragon Tattoo (2011)
Direção: David Fincher
Elenco: Rooney Mara, Daniel Craig, Christopher Plummer, Stellan Skarsgard
Duração: 157 minutos
    

domingo, 22 de dezembro de 2013

Anticristo (Antichrist)

    Um filme de cenas perturbadoras e polêmicas, como é de costume na obra de Lars Von Trier, que provocam angústia, medo, dor, fascinação. É aquele tipo de obra que, quando termina, te deixa pensando, tentando interpretar os diálogos, os sentimentos dos personagens e o fechamento da história. E que depois, ao trocar impressões sobre ele com algum amigo, há a percepção de que existem muitas visões diferentes sobre o filme, pois ele tem a característica de estar aberto a essas inúmeras possibilidades de entendimento.
    A história: um casal -sem nome- perdeu seu filho pequeno num (talvez) acidente doméstico. A mulher entra em um estado de depressão profunda. O homem, terapeuta, decide submetê-la a uma cura terapêutica e a leva para uma cabana isolada no meio de uma floresta densa e escura. Ao desenvolver esse tratamento, o homem também inicia uma pesquisa sobre os sentimentos de sua mulher; enquanto isso, ela vai revelando toda a complexidade de sua culpa, dor e de seu desejo sexual.
    Essa história, aparentemente, poderia ser lida como um clichê do cinema: casal perde o filho e tenta lidar com isso. Mas a maneira como é contada faz toda a diferença para a reação das pessoas em relação ao filme: muitos acharam genial, muitos, repugnante. Acho bastante interessante a maneira como o "verdadeiro" tema do filme vai se revelando aos poucos. E acho ainda que o mergulho na mente de um personagem perturbado não pode mesmo ser indolor e fácil. É da escolha do espectador decidir mergulhar ou não.
    O mais legal do filme: o prólogo, de fotografia belíssima em P&B, que conta a história da morte do filho, com trilha sonora de uma ópera de Handel.

Trailer

Ficha técnica
Antichrist (2009)
Direção: Lars Von Trier
Elenco: Charlotte Gainsbourg, Willem Dafoe
Duração: 104 minutos